08 de julho de 2026
Articulistas

Selic: a perspectiva é boa


| Tempo de leitura: 2 min

Não foi a redução desejada pelo lado real da economia, mas não podemos deixar de considerar a perspectiva, e essa nos parece boa. A taxa em 20% ao ano estabelece um juro real (acima da inflação da futura) de 12,7% ao ano. Lembrando que, com juros de 22% ao ano, os juros reais eram de 14,6%. É uma taxa elevada para um país que precisa recuperar o tempo perdido. O primeiro semestre foi sofrível. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é que seja menor que 1%; muitas empresas e pessoas físicas estão endividadas (se é que ainda não quebraram).

Apesar dessa constatação, devemos dar um passo de cada vez. A trajetória de queda é que deve ser analisada, e essa é declinante.O que se espera com juros menores:

1- Redução do gasto com juros para rolagem da dívida interna. Cerca de metade dessa dívida é remunerada com base na Selic.

2- Desestímulo à poupança. Juros menores levam as pessoas a ter maior gasto em detrimento a guardar os recursos.

3- Estímulo a antecipação de compras.

4- Reversão de expectativas. Juros menores podem indicar maior atratividade do setor produtivo.

5- Estímulo ao mercado acionário. Juros menores tornam os títulos públicos menos atraentes e os recursos migram, entre outras alternativas, ao mercado acionário.

Essa decisão, somada a liberação de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para aquisição de produtos da linha branca (eletrodomésticos, etc), podem indicar um final de ano melhor do que o projetado. Resta agora uma ação firme do governo no sentido de estimular e até forçar o sistema bancário brasileiro a ampliar o volume de crédito disponibilizado ao público. Afinal, a redução de juros é o primeiro passo, mas se os bancos não quiserem emprestar recursos, o tomador final não sentirá o reflexo em seu bolso. Mesmo com tudo isso, entendo que a perspectiva é boa.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, mestre em comunicação, vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru e delegado do Corecon.