10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Campanha paralisa bancos federais

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Todas as agências do Banco do Brasil (BB) e duas da Caixa Econômica Federal (CEF) suspenderam as atividades e o atendimento ao público durante todo o dia de ontem, em Bauru. A paralisação dos bancos federais, que teve adesões em todo País, faz parte da campanha nacional por reajuste salarial e melhores condições de trabalho da categoria.

Ontem, apenas a agência da CEF da avenida Nações Unidas não aderiu ao movimento, e a unidade da rua Gustavo Maciel, no Altos da Cidade, aderiu parcialmente, com atendimento reduzido. A paralisação foi decidida em assembléia anteontem à noite, com a presença de aproximadamente 200 pessoas.

De acordo com Marcos Silvestre, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, os trabalhadores reivindicam aumento de 21,58%, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) significativa, fim das demissões e garantia de emprego, com a contratação de mais funcionários para diminuir as filas nos bancos.

“Infelizmente, a única resposta que tivemos do governo federal até agora no tocante à campanha salarial é que eles não vão chegar nem perto da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que é a responsável pela negociação”, comenta.

O diretor do sindicato afirma que a pauta das reivindicações dos bancários foi apresentada há quase dois meses, mas a única proposta oferecida pela Fenaban é o reajuste de 10% nos salários. “Por parte da Fenaban, amanhã (hoje) ocorre uma negociação, e esperamos que essa proposta seja melhorada para que atinja pelo menos a reposição da inflação”, declara Silvestre.

Os bancários estão sem reajuste salarial há oito anos. Neste período, segundo Silvestre, ocorreram manifestações e paralisações parciais no setor, mas este ano nota-se uma movimentação maior dos trabalhadores visando a campanha salarial.

“A afirmação do presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, de que não vai ocorrer negociação, causou uma insatisfação muito grande nos funcionários. Com o governo Lula, uma parte do movimento sindical é atrelada ao governo e fica reticente em encaminhar alguma manifestação mais contundente. Mas na base, no conjunto dos trabalhadores, há muita disposição para a luta”, diz.

Silvestre afirma que se uma negociação positiva não ocorrer em alguns dias, a tendência maior é a de greve nas próximas semanas. Em Bauru, a CEF informa que em breve deve apresentar uma proposta visando o acordo entre as partes.

Serviços

Na opinião do diretor do sindicato, a paralisação de ontem não prejudicou a vida dos clientes dos dois bancos, pois a maior parte dos serviços pode ser realizada nos caixas eletrônicos, que estavam liberados para uso normalmente.

O aposentado Juliano Freitas concorda com a paralisação dos bancários. “O que eu preciso, posso fazer no caixa eletrônico. Se eles estão sem aumento, têm que brigar”, diz. Já a atendente Cristiane Romão diz que perdeu a manhã para ir ao banco resolver um problema com sua conta corrente. “Com tudo parado, minha situação não vai ter solução hoje (ontem)”, reclama.

Dentre as outras cidades da base do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, também houve paralisações em ambos os bancos em Lençóis Paulista e Agudos. Em Piratininga, os funcionários do BB não trabalharam, e em Santa Cruz do Rio Pardo, a CEF paralisou as atividades o dia todo, além das agências do Banco do Brasil, Nossa Caixa, Bradesco, HSBC e Itaú, que começaram o atendimento apenas às 12h.

Segundo o sindicato, também houve paralisações em São Paulo e diversas cidades do Interior do Estado, em Brasília, várias cidades do Paraná e do Nordeste. No Recife, a adesão à paralisação foi total.