09 de julho de 2026
Política

Leitura integral do processo torna sessão cansativa e reduz interesse

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A leitura das primeiras 1.400 páginas do processo de julgamento do mandato de Nilson Costa reduziu o interesse de participação da população no primeiro dia de sessão, ontem. Os vereadores se revezaram no cansativo trabalho de ler cada uma das páginas iniciais de um total de 4.846 já registradas em 25 volumes.

Com essa situação, ainda não há previsão sobre o término da fase de leituras com o início do julgamento e a votação. Ontem, a sessão foi interrompida às 20 horas.

Hoje os vereadores retomam os trabalhos às 8h30. “Vamos tentar acelerar a leitura e se houver possibilidade há a intenção de concluir essa fase até o início da noite desta sexta-feira. Se não houver essa possibilidade, retomamos a sessão no sábado para conclusão do julgamento”, comentou a presidente da Mesa, vereadora Majô Jandreice (PC do B).

A Polícia Militar não registrou incidentes. Mas algumas pessoas reclamaram da falta de distribuição de senhas durante a tarde e o início da noite. “Muitos dos puderam vir cedo, pegaram a senha e depois não devolveram. Quem trabalhou o dia todo não conseguiu entrar no final da tarde”, reclamou uma servidora, sem se identificar, na portaria da Câmara.

A PM vai trocar a cor das senhas hoje e a direção do Legislativo indicou que vai exigir a devolução dos controles para quem deixar o prédio. A organização destinou 25 senhas para os manifestantes contrários e favoráveis ao prefeito. “Mas quem é neutro, não tem posição, não está podendo entrar”, acrescentou a mesma servidora que não obteve senha.

Apesar do sistema de senhas, poucas pessoas acompanharam os trabalhos durante o dia de ontem. A expectativa é que as manifestações se concentrem para a fase final da sessão, de discursos e votação.

Do lado externo do prédio da Câmara, um grupo pró-cassação desfilou com um caixão e fez o enterro simbólico do prefeito. No final da tarde, sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e membros do PSTU realizaram um ato com o uso de carro de som.

O prefeito contou com poucos apoiadores entre os manifestantes, ontem. De outro lado, os críticos do governo ganharam o reforço do presidente nacional do PSTU, José Maria de Almeida.

Ele foi candidato a presidente da República pelo partido, no ano passado. “Os companheiros vieram aqui para protestar contra o pagamento antecipado de 75 toneladas de carne e a ausência de capacidade de estocagem pela prefeitura dos alimentos porque a câmara fria disponível só recolhe cinco mil quilos. O dinheiro público deve ser aplicado corretamente e Bauru dá um exemplo de vigilância pública”, pontuou.