08 de julho de 2026
Auto Mercado

Fogo!!! Extintor nele!

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Você sabe operar o extintor de seu carro? Você saberia agir se seu automóvel começasse a pegar fogo? Caso tenha respondido negativamente a pelo menos uma destas perguntas, você certamente é um candidato com grande potencial a enfrentar problemas e, principalmente, arcar com os prejuízos que um incêndio é capaz de gerar em um veículo.

Segundo o capitão Geraldo Aparecido Delmonte, do Corpo de Bombeiros de Bauru, o segredo do sucesso no combate aos incêndios veiculares está na agilidade da execução dos procedimentos necessários para tal. “A chave está no tempo gasto entre a identificação do foco e o início de seu combate”, enfatiza. “Daí a necessidade e a importância de saber como agir em uma hora dessas”, acrescenta.

Delmonte explica que o incêndio propaga-se rapidamente a partir de um pequeno foco devido à presença de materiais altamente inflamáveis nos carros. Ele cita como exemplo os derivados de petróleo, como tintas e painéis, além de estofamentos, pneus, fiações e elementos sintéticos. “Poucos segundos são suficientes para um incêndio consumi-los”, destaca ele.

O capitão ressalta que o passo inicial para ganhar agilidade nesses momentos é entender o funcionamento do extintor de incêndio, acessório obrigatório em todo automóvel cuja ausência ou mau estado de conservação pode acarretar multa ao condutor (leia quadro nesta página). Nesse sentido, a primeira providência é conhecer o local onde o cilindro é armazenado no veículo.

Com ele em mente, o motorista deve pegá-lo, retirar o lacre, puxar a trava de segurança e empunhá-lo pelo suporte com o dedo no gatilho. Na seqüência, continua o capitão, deve-se localizar o foco do incêndio e direcionar o jato de pó químico seco - o material acondicionado no cilindro - diretamente neste ponto fazendo pequenos movimentos de varredura.

“O condutor deve ter o cuidado de manter certa distância e não deixar que o pó ultrapasse a origem do fogo. O ideal é que se forme uma nuvem densa, pois o pó irá ocupar o lugar ao ar para diminuir a quantidade de oxigênio e, conseqüentemente, extingüir o incêndio por abafamento”, explica o bombeiro.

Além disso, Delmonte recomenda atenção redobrada se a origem do fogo estiver no capô dianteiro ou no porta-malas. Isso porque, dependendo da temperatura interna do compartimento, uma rápida abertura pode ocasionar uma explosão e envolver a pessoa em uma “língua” de fogo. “São locais que facilitam o acúmulo de gás quente, como o monóxido de carbono, que é altamente reativo com o oxigênio”, diz.

Por isso, o bombeiro orienta que a abertura destes locais seja feita de forma lenta e, simultânea, a uma pequena varredura com o extintor. Delmonte considera importante, ainda, o auxílio de outros condutores no combate ao incêndio. “Os que estiverem presenciando o fato devem nos acionar o mais rápido possível e até auxiliar o dono do veículo envolvido a apagar o fogo”, sustenta.

Apesar de todos estes conselhos, o capitão ressalta que, mesmo seguindo todos estes procedimentos, o extintor não faz “milagres”. “Ele é projetado para apagar princípios momentâneos de incêndios.

Por essa razão, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado sempre. “Às vezes, a pessoa pensa ter conseguido acabar com o fogo em um local, mas pode haver focos invisíveis em outro. Chamar-nos é uma medida preventiva”, frisa.

Manutenção ajuda

A falta de manutenção, ou execução inadequada desta, são as principais causas de incêndios em automóveis. É o que garante Livaldo Galego Moreno, mecânico há vários anos na profissão. Experiente, Liva, como é mais conhecido, afirma que já executou serviços em vários automóveis danificados por fogo. “Eles ocorrem com freqüência mais comum do que se imagina”, ressalta.

Segundo o mecânico, as causas mais comuns que propiciam o surgimento de incêndios são desleixos com os sistemas de combustível, como filtros, mangueiras e encanamentos, e elétrico, especialmente as fiações.

“Uma simples mangueira ressecada provoca vazamentos, que em contato com fagulhas provocadas pela ignição podem causar um foco”, explica. “Já os fios deteriorados da parte elétrica são convites a ocorrência de curtos”, complementa Liva.

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