08 de julho de 2026
Política

Dudu não quer dívida com bancos

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 2 min

Menos de 12 horas depois de assumir o cargo de prefeito de Bauru, Dudu Ranieri (PFL) anunciou ontem que pretende rever a proposta do empréstimo de R$ 100 milhões (US$ 30 milhões) para executar as obras do sistema de tratamento do esgoto ana cidade. As negociações vinham sendo feitas com o Banco Mundial e, no início do mês, deram sinais de viabilidade em virtude do parecer favorável do Conselho de Financiamento Externo (Confiex) da União.

Dudu não acredita que a tomada do financiamento esteja tão próxima quanto fez crer a gestão Nilson Costa (PTB). O atual prefeito também não confia nos termos do acordo. “Quando estive em Brasília, há dois anos, para pleitear recursos, disseram que Bauru devia muito para o governo federal e que dificilmente conseguiria mais dinheiro financiado. Para mim, todo esse alarde foi argumento para sustentar o ex-prefeito no cargo diante da crise política”, avaliou.

Pessoalmente, o prefeito é contrário a empréstimos bancários. “Costumo administrar minhas coisas com economia e sem ajuda de banco. Quem toma empréstimo hoje em dia fica praticamente insolvente, porque o pagamento é muito difícil. Os juros são impagáveis; taí a dívida do viaduto que respalda o que eu estou dizendo. O município já consumiu uma quantia fabulosa e ainda está devendo cinco vezes mais do que emprestou”, citou.

O acordo com o Banco Mundial não estaria de todo descartado, mas por ora, ele não sairá. Antes de qualquer possibilidade de firmá-lo, Dudu quer estudar e rever os termos. Embora não externe, o prefeito dá sinais de que outras alternativas possam ser encontradas para viabilizar o necessário sistema de tratamento do esgoto.

“Precisamos descobrir formas de executar a obra”, deixou escapar, sem comentar, no entanto, a possível utilização de recursos do próprio Departamento de Água e Esgoto (DAE) ou terceirização da obra, o que já foi por muito tempo ventilado nos bastidores administrativos e políticos da cidade.

Até onde se sabe, o empréstimo junto ao Banco Mundial, apesar da aprovação do Confiex, dependeria ainda da anuência do Senado Federal, além de uma lei autorizativa da Câmara Municipal de Bauru.

Há três semanas, tão logo soube do parecer do órgão federal, a administração municipal anunciou que os bauruenses teriam de pagar uma taxa pelo tratamento do esgoto. A cobrança teria início a partir do funcionamento da estação e a fixação da taxa só seria discutida pelo sucessor de Nilson Costa – agora, pelo de Dudu Ranieri. Todas essas possibilidades e cogitações, no entanto, ficam suspensas com a cassação do petebista.