08 de julho de 2026
Bairros

Profissionais não mudam de ramo

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Não é por falta de opção que profissionais permanecem firmes em suas atividades antigas, geralmente sem reconhecimento por parte da sociedade. Muitos afirmam que gostam do que fazem e que não pretendem buscar novidades.

A bibliotecária Maria Luiza Zanzarini Araújo é uma delas. Formou-se há 30 anos e afirma que sempre gostou da profissão. “Eu sempre gostei de ler. Foi uma escolha meio lógica. Não tinha outra coisa que eu gostasse de fazer”, conta.

Na época, com 15 anos de idade, teve incentivo de um professor que trabalhava na biblioteca do colégio. “Eu era a única que ele deixava entrar e mexer nos livros diretamente na estante. Era um privilégio que ele me concedia”, revela.

Maria Luiza gosta do que faz e confessa sua atração pelo ambiente da biblioteca. “Primeiramente, tem que gostar. Não é uma profissão glamourosa. Não é como ser um médico. Aqui, você trabalha com livro novo, livro velho etc”, expõe.

O dia-a-dia da profissional consiste em receber livros doados à biblioteca, separá-los, classificá-los e cadastrá-los. “Eu não me acostumaria tanto a trabalhar em outro lugar. Essa é uma profissão muito antiga. Existe desde o primeiro livrinho, a primeira pedrinha da biblioteca de Alexandria”, explica.

O trabalho antigo sofreu mudanças em virtude da informatização. “Mudou totalmente. Já é outro esquema de biblioteca. Era tudo manual, na base da fichinha”, relembra.

Embora novos formatos de livros tenham surgido na Internet, Maria Luiza está certa de que sua profissão não será extinta. “O que vai ocorrer é uma transformação. Eu acredito que o livro não acaba. Como você vai eliminar o livro se 80% da população não têm um computador em casa? Eu não vou ver isso”, salienta.

Ela destaca, também, que o bibliotecário pode trabalhar não apenas em uma biblioteca, mas também em bancos, museus e até discotecas. “Onde tem um lugarzinho para buscar informação e organizar dados tem lugar para o bibliotecário”, afirma.

Corte e costura

Lojas de roupas não assustam a costureira Benedita Correia Pita, 50 anos. Há 20 anos, ela trabalha no ramo e diz que sempre há clientes que procuram peças feitas sob medida.

Benedita começou costurando roupas para seus filhos, em casa. Aprendeu algumas técnicas com uma costureira conhecida e aprimorou o serviço através de um curso.

A quantidade de freguesas que procuravam Benedita em sua casa aumentou tanto que ela decidiu montar uma oficina no Centro. É lá que ela faz as reformas de peças usadas e confecciona roupas novas.

A costureira só sairia da oficina se fosse para montar outra maior. Para continuar costurando, claro. “Não troco minha profissão por outra. Sempre tem demanda porque tem pessoas que não se acostumam a comprar em loja. Elas preferem vir na costureira.”

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Vendedores

Sacolões e hipermercados não são ameaças para vendedores ambulantes de frutas e ervas em Bauru. A clientela fiel garante que, como antigamente, eles continuem circulando pelas ruas da cidade comercializando seus produtos.

É o caso do vendedor de frutas Luiz Aoyama, 64 anos. Há 20 anos ele percorre bairros vendendo frutas que adquire numa fazenda em Borborema. Antes disso, ele trabalhava em lavoura de café, arroz e amendoim, em Dracena.

Vender frutas foi uma alternativa que encontrou para o desemprego. “Não acho mais emprego na minha idade. Eu quebro o galho com venda de frutas”, argumenta.

A andança começa logo cedo, às 7h, e estende-se até as 19h. “Sempre fico andando com a carriola na região do Jardim Bela Vista”, conta.

João Maurício, 42 anos, é mais conhecido no Centro como “João das Ervas”. Há muito tempo ele vende plantas medicinais em uma barraquinha e tornou-se conhecido através desse trabalho.

O vendedor afirma que não é enganador e não promete cura a ninguém. Apenas procura indicar as ervas corretas. “Antes, eu trabalhava com farmácia. Meu pai mexia com raízes e eu optei por entrar no ramo. Entrei e gostei”, diz.

O resultado é satisfatório, segundo o vendedor. Carobinha, chapéu-de-couro, pata-de-vaca, carqueja e graviola são responsáveis por seu sucesso, entre outras.

“Se a gente indica uma erva e você volta ou nos indica para outras pessoas, é sinal de que estamos no caminho certo”, afirma.

Para João, dificilmente as pessoas deixarão um dia de comprar ervas medicinais. “Isso vem desde a época de Cristo. Acho que não acaba”, argumenta.