09 de julho de 2026
Bairros

Concorrência prejudica chaveiros

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A disputa por clientes entre os chaveiros de Bauru é um fator que aponta para a grande quantidade de profissionais desse ramo na cidade. Dia a dia surgem mais estabelecimentos e aumenta a concorrência entre eles.

Marcos César Ghizelli trabalha com chaves há 15 anos e há três tem seu próprio negócio. “Já esteve melhor. O pessoal pensa que para ser chaveiro é só fazer cópias de chave na maquininha. E vão abrindo estabelecimentos”, reclama.

Ele explica que a profissão requer também conhecimentos em instalações de fechaduras e parte eletrônica de carros, por exemplo. Atualmente, trabalhar com chaves de carros novos é complicado porque elas saem da fábrica codificadas. “É preciso investir R$ 10 mil para trabalhar com isso”, afirma.

Segundo Marcos, em Bauru há cursos ruins que ensinam o futuro chaveiro apenas a cortar a chave e fazer chave de cadeado.

Kléber Luiz Coelho Ferreira, 23 anos, trabalha no ramo desde os 9 anos de idade e diz que existem muitos chaveiros ruins em Bauru. “Virou moda abrir barraquinhas de chaveiro. Acaba atrapalhando todo mundo e ninguém dá certo. Eles têm preço mais baixo porque não pagam imposto, aluguel, não emitem nota e não têm funcionário.”

Segundo Kléber, o ofício requer algumas habilidades. “Não é qualquer um que sabe fazer bem. É uma profissão bem específica. Não é como frentista, que qualquer um pode fazer. Tem que ter paciência, ser esperto, prestar atenção nas coisas. Você não aprende nada de uma hora para outra”, afirma.

Outro aspecto negativo apontado por ele é o pouco valor atribuído ao trabalho do chaveiro. “É uma chave que você faz, mas por trás dessa chave tem um trabalho. Às vezes, na hora de cobrar, as pessoas acham muito caro. Isso desanima um pouco”, confessa.

Kléber conta que muita coisa mudou na forma de fazer chaves, nos últimos anos. Principalmente no que se refere a chaves de carro. Por outro lado, muitas técnicas foram preservadas, como a empregada na confecção de chaves sem modelo.

O morador da Vila Cardia Nobuo Sato trabalha há dez anos como chaveiro e acredita que as novidades da tecnologia não serão suficientes para acabar com sua profissão. “Todas as casas têm porta e todas as portas têm chave. Até informatizar tudo demora muitos anos”, calcula.

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Amolador

O amolador de facas, alicates e tesouras Oswaldo Gomes, 62 anos, afirma que no ramo em que trabalha a concorrência também está aumentando. “Aumentou a quantidade de amoladores devido ao desemprego. Por isso, diminuiu a quantidade de pessoas que procuram nosso serviço”, afirma.

Há 24 anos, após abandonar seu trabalho de pedreiro, Oswaldo resolveu tornar-se amolador e aprender a técnica que considera “milenar”. Ele tinha parentes que trabalhavam na área e começou visitando casas. Percorria os bairros com um carrinho, tocando sua flauta.

Há 14 anos, o morador do Jardim Petrópolis montou uma barraquinha no Centro da cidade, onde atende seus clientes até hoje. “Eu tenho saudade de quando a gente podia soprar uma flauta, sair pelas ruas. O gosto do amolador é esse: soprar a flauta e afiar as ferramentas”, salienta.

Oswaldo destaca que o trabalho depende de teoria. “Precisa ter uma certa ajustagem na ferramenta. Não basta só afiar. Precisa fazer regulagem na ferramenta, devido aos desgastes. Precisa entender o grau, a têmpera”, explica.

A qualidade ruim de determinadas ferramentas atrapalha o trabalho do amolador. “Com esse negócio de R$ 1,99, tem muita ferramenta quase sem têmpera nenhuma. Tem alicatinhos de plástico e ferramentas que a gente mesmo não afia porque não têm valia nenhuma”, expõe.