08 de julho de 2026
Bairros

Mecanógrafo resiste ao computador

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Máquina de escrever não é coisa do passado. Enquanto muita gente troca periodicamente seus computadores por modelos mais novos, há quem cuide com exaustão da manutenção de suas máquinas de escrever.

A prova disso é o mecanógrafo Elias Tentor, 61 anos. Há 30 ele sobrevive do conserto de máquinas de escrever. O especialista trabalha numa oficina que o tio montou em 1934, na rua Gerson França, no Centro de Bauru.

“Fui aprendendo com meu tio a mexer com as máquinas. Eu sempre gostei de mecânica então para mim foi fácil”, conta Elias.

Ele garante que muita gente ainda tem e usa máquinas de escrever em Bauru. Seus clientes vão de empresas a pessoas que querem manter em boas condições a relíquia deixada como herança por parentes.

“Eu acho bonito. Tem pessoas que não conseguem abandonar a máquina e não se acostumam a trabalhar no computador. Parece que elas resolvem seus assuntos mais facilmente na máquina”, observa Elias.

A oficina em que ele trabalha ainda tem muitos clientes fixos. A quantidade não se compara, entretanto, à da década de 70, em prestava assistência para muitos bancos e empresas “Era de Bauru a Corumbá. Hoje, caiu 70% o nosso serviço. Está acabando, mas ainda tem muita máquina”, enfatiza.

Elias, que mora na Vila Mesquita, conserta todo tipo de máquina de escrever. O serviço varia de R$ 45,00 a R$ 60,00, em média, e inclui limpeza, troca de peças e solda de tipos.

A dificuldade está quando ele precisa trocar peças antigas, difíceis de serem encontradas. “Há casos raros em que é preciso abandonar a máquina”, diz.

Se no auge das máquinas de escrever havia cerca de 30 oficinas de mecanografia em Bauru, atualmente elas não passam de dez, de acordo com Elias. Entre elas, há uma no Jardim Bela Vista e outra no Parque Vista Alegre.