11 de julho de 2026
Política

Militantes petistas lançam manifesto em Bauru

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

O Manifesto pelo Resgate do PT, organizado por setores do Partido dos Trabalhadores que estão descontentes com os rumos que lideranças da legenda têm tomado desde que assumiram o governo federal, foi lançado oficialmente anteontem em Bauru. O objetivo é discutir a retomada de posições que esses militantes julgam serem mais próximas da história do partido.

“Como o PT é um dos pilares centrais do governo Lula, um conjunto de ações provocado pelo governo tem entrado em choque com aquilo que nós sempre procuramos. Isso ficou mais evidenciado por conta da reforma da Previdência”, afirma o membro do diretório estadual do PT e presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Roque Ferreira.

Ele acredita que o diálogo é a melhor maneira para que se mude esse quadro sem que haja a necessidade de radicalismos. “Existe um grande espaço para a gente fazer o debate político com os militantes do partido, como vem sendo demonstrado nos lançamentos do manifesto”, opina.

Segundo Ferreira, o momento não é oportuno para que os descontentes deixem a legenda. “Nós, que trabalhamos para construir o PT, não podemos abdicar dele. O que está em jogo é a própria existência do partido tal qual foi constituído. Consideramos que é um equívoco, do ponto de vista político, qualquer movimento que se faça no sentido de abandoná-lo”, afirma.

Ele critica os militantes que seguiram essa direção. “Não apoiamos nenhuma iniciativa que vise a ruptura do PT. A saída pode até ser uma resposta moral de alguns indivíduos que estão insastifeitos, mas a política não é assim. Nós não podemos sair por aí dizendo que está tudo resolvido e não há como mudar”, diz.

Calendário

O petista revela que um calendário de atividades já está sendo desenvolvido para fortalecar o manifesto. “Estaremos fazendo lançamentos até 23 de outubro e, no final do próximo mês, a proposta é fazer um grande ato nacional contra a expulsão dos deputados e senadores do PT, o que não implica, necessariamente, que a gente concorde com os métodos que alguns desenvolveram”, declara.

Ele acredita que, daí em diante, o caminho para as mudanças estará aberto. “Essa discussão tende a crescer e a gente espera construir uma força política que seja capaz de, internamente, fazer a contraposição às forças que hoje controlam o partido e que, no nosso entendimento, estão degenerando a natureza do PT. Queremos retomar os nosso rumos e paradigmas”, afirma.