Passadas pouco mais de 24 horas de sua posse como novo prefeito de Bauru, Dudu Ranieri (PFL) corre contra o tempo para compor um governo de coalizão, que permita a consolidação de uma base de sustentação política na Câmara Municipal. Ontem, ele almoçou com nove vereadores em sua residência. Cardápio: o tabuleiro político que se pretende formar a partir de hoje com a sua posse no comando da administração municipal.
Dos 11 partidos com assentos no Poder Legislativo, compareceram à reunião parlamentares que representam cinco legendas: Catarina Carvalho e Paulo Eduardo Martins Neto - ambos do PFL -, Faria Neto e Salvador Afonso - filiados ao PDT -, Leandro dos Santos Martins (PTB), José Eduardo Ávila (PP), João Parreira (PSDB) e Luiz Carlos Valle (PSB).
A surpresa do encontro político foi o vereador Paulo Agustinho (sem partido), que na madrugada do último sábado - dia em que foi realizada a sessão de julgamento - se posicionou a favor do ex-prefeito Nilson Costa (PTB), portanto, contra a cassação de seu mandato.
Mas o time dos parlamentares também apresentou seus reservas. Três suplentes de vereadores prestigiaram o encontro: Luiz Roberto Relvas (PDT), Futaro Sato (PMDB) e Chiara Ranieri (PFL), filha do chefe do Executivo.
O prefeito recém-empossado, porém, resistiu a assumir que a reunião foi realizada com o objetivo específico de formar um arco de aliança político-partidária capaz de lhe dar lastro de governabilidade nos próximos 15 meses. “Essa reunião é uma descontração”, esquivou-se.
Figura que compõe o cenário político de Bauru há mais de 30 anos, Dudu avalia que a conquista de uma maioria sólida na Câmara só pode vir com “boas relações” com seus membros. “Vou fazer diferente do Nilson. Tenho, sim, projeto de um governo de coalizão e não de colisão”, ironiza, se referindo ao ex-prefeito, que tinha dificuldades de relacionamento com os vereadores.
Entre um e outro telefonema e a bajulação natural de quem conquista o poder, o pefelista não esconde sua intenção. “Quero que os vereadores ajudem a governar essa cidade junto comigo”, revelou.
Minutos após o início da entrevista, já descontraído, o novo prefeito explicou, mais claramente, que os parlamentares vão poder participar de sua gestão através de indicações de nomes para ocupar o primeiro, segundo e terceiros escalões da administração municipal que está para se iniciar.
“Vou ouvir, sim, sugestões de nomes dos vereadores. Mas quero deixar bem claro: não vou fazer um governo de empreguismo, de cupinchas”, disse, provocando constrangimentos em alguns parlamentares que estavam posicionados ao seu lado.
Dudu avalia que é impossível governar uma cidade sem parceria com o Poder Legislativo. “Eu quero gente para assumir os cargos que serão desocupados para resolver os problemas da cidade.”, garantiu.
A primeira reunião do novo prefeito com um bloco de vereadores começa a formatar o cenário político para seu projeto de reeleição, que ele se nega a comentar neste momento.
Dos partidos representados na reunião, somente dois têm candidatos a prefeito praticamente definidos. O PDT - que deve lançar o ex-deputado federal Tuga Angerami - e o PSDB, que já tem o empresário Caio Coube como candidato certo à prefeitura.
Os demais - PSB, PP, PTB e PMDB - ainda estão indefinidos quando o assunto é nomes de prefeitáveis. A brecha abre caminho para o projeto político de Dudu, que tem exatamente um ano para convencer o eleitorado de que merece mais uma gestão de quatro anos frente à prefeitura a partir de janeiro de 2005.