A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), responsável pelo fornecimento de energia elétrica no Interior de São Paulo, estima que o consumo será reduzido entre 69 mil MW/h e 70 mil MW/h de energia durante os 119 dias de duração do horário de verão, que se inicia a zero hora do dia 19 de outubro e termina no mesmo horário em 14 de fevereiro de 2004. A energia economizada seria suficiente para atender uma cidade do porte de Bauru por 42 dias.
O número, porém, representa apenas 1% de redução de consumo. “Nesses 119 dias, o que a gente prevê de redução de consumo de energia elétrica é da ordem de 1% em relação ao que é consumido no período”, afirma Luís Henrique Ferreira Pinto, gerente do departamento de controle operacional da CPFL.
Segundo ele, a redução é apenas uma estimativa tomando por base a curva de carga. “Nós estamos ainda fazendo previsões, porque esse cálculo só é fiel quando inicia o horário de verão”, diz. Nos 105 dias de duração do horário no período passado (2001-2003), a redução de consumo foi de 1,07% (o que significou 64 mil MW/h), e a redução de demanda foi de 4,9%.
De acordo com Pinto, o mais importante no horário de verão é a redução da demanda no horário de ponta, isto é, o período compreendido entre as 18h e as 20h. “É o horário em que está entrando a iluminação pública, as pessoas estão chegando em casa para tomar banho e acendendo as luzes, microondas”, explica. A CPFL - que abrange 234 municípios no Interior do Estado - estima que a redução de demanda seja da ordem de 4,8%.
Segundo o gerente, com o adiantamento de uma hora nos relógios, a demanda reduz e o sistema é aliviado. “Com o horário de verão, você desloca essa ponta, porque as pessoas estão chegando em casa ainda com o dia claro”, observa.
A partir da zero hora do dia 19 de outubro, o horário de verão terá início nos Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País, com exceção do Mato Grosso. Com a mudança nos relógios, o governo espera economizar entre R$ 27 milhões e R$ 30 milhões. A redução no consumo de energia elétrica estimada pelo governo para o País é de 0,5%.
Histórico
A edição 2003-2004 é a 19.ª consecutiva no Brasil do horário especial de verão, que proporciona o maior aproveitamento da luminosidade natural, resultando em economia de energia elétrica. No hemisfério Sul isso ocorre durante os meses de outubro e março. No hemisfério Norte, a mudança de horário é aplicada entre abril e outubro.
Quanto mais distante do Equador, maior é a diferença existente em relação à duração dos dias de inverno e verão.
No Brasil, o horário de verão foi instituído pela primeira vez em 1931. A medida foi reeditada por mais dois anos, ficando sem utilização até 1949. Desde então, mais quatro edições foram lançadas. Na década de 60, a medida vigorou por cinco anos subseqüentes, de 1963 a 1968.
A sociedade brasileira passou a conviver rotineiramente com o horário de verão a partir de 1985. Com a 30.ª edição deste ano, o Brasil registra a 19.ª aplicação consecutiva da medida.