09 de julho de 2026
Polícia

PM vai personalizar policiais em setores

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Militar (PM) de Bauru está lançando mão de uma estratégia denominada “Personalizando a Emergência” para conscientizar a população a usar o serviço telefônico 190 somente em casos de emergência e, ao mesmo tempo, personalizar os policiais em suas áreas de atuação. A proposta é que o cidadão procure o sargento responsável pelo policiamento de seu bairro para casos que não tenham urgência e atendimentos sociais, ao invés de ligar para o 190.

Para isso, a área de cada uma das seis bases comunitárias da PM existentes na cidade foi dividida em três subsetores. Cada subsetor ficará sob a responsabilidade de um sargento, que a partir da próxima semana começará a visitar os moradores de sua área para explicar a nova sistemática de trabalho e estreitar a relação entre comunidade e polícia, explica o tenente-coronel José Alexandre Borin, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar. Toda a cidade conta com cerca de 600 policiais militares.

O comando da PM prevê uma redução no volume de ligações ao 190 e, assim tentará diminuir o tempo para atender os casos que realmente são emergência. “Hoje, o nosso tempo de resposta é de menos de dez minutos em 95% dos atendimentos, que acreditamos que pode ser menor”, explica o capitão Manoel Messias Mello. De acordo com ele, o serviço 190 da PM recebe, em média, 1.300 ligações por dia em Bauru, das quais cerca de 60% são referentes a assuntos da esfera social (não de segurança pública) e 22% são trotes.

A PM espera que a personalização dos sargentos em seus respectivos setores resulte na redução de crimes, principalmente o furto, a médio e longo prazos. “Nessas visitas aos moradores, os sargentos vão prestar informações sobre medidas de autodefesa, como dificultar o acesso do ladrão às residências e evitar que bens possam ser vistos da rua”, frisa o capitão Pedro Batista Lamoso, sub-comandante do 4.º Batalhão.

No ano passado, foram registrados 7.803 furtos e 1.406 roubos em Bauru. Lamoso conta que na Bela Vista, onde o projeto já foi testado, descobriu-se que é alto o índice de idosos. “Até então, a PM conhecia os pontos de maior criminalidade, mas não os moradores. Nessas visitas, o sargento passou a conversar com os idosos, que são mais vulneráveis a furtos, sobre as medidas de autodefesa e a possibilidade de instalarem alarmes em suas casas”, completa.

Nas visitas às residências, os sargentos vão entregar aos moradores folderes e ímãs para geladeira, patrocinados pelo Jornal da Cidade, contendo os seus nomes e respectivos telefones. “O anonimato favorece o crime. À medida que o cidadão conhece o policial de seu bairro, aumenta a confiança. Esse cidadão, que poderia omitir-se, vai passar informações sobre crimes ao policial e isso contribui para a segurança pública”, frisa Messias.

O folder também traz uma relação dos serviços oferecidos pela PM e explica o objetivo do projeto “Personalizando a Emergência”, frisa o tenente-coronel Alexandre e o major José Humberto Nardo, coordenador operacional do 4.º Batalhão. Renato Zaiden, diretor do Grupo Cidade, explica que o JC participa do projeto da PM como financiador do material de divulgação porque a informação ajuda na transformação da sociedade. “Além de noticiar o que é importante e interessante, o JC presta serviço à comunidade. E esse projeto da PM encaixa-se na missão do JC, que é promover a cidadania democratizando o acesso à informação porque à medida que é feita a divulgação do policial responsável por cada região da cidade, a população poderá cobrar mais e também ajudar mais”, frisa.

Os policiais vão distribuir cerca de 100 mil folderes e 100 mil ímãs de geladeira na cidade, num período de seis meses. Dentro de um ano e meio, o projeto deverá passar por uma avaliação de resultado, através de pesquisa. O projeto será divulgado à sociedade durante uma solenidade que será realizada hoje à noite, na Cervejaria dos Monges.

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Polícia Comunitária

O projeto “Personalizando a Emergência” é mais uma etapa da implantação da filosofia de Polícia Comunitária, que começou a ser adotada em Bauru em 1993 e propõe uma parceria entre população e polícia, explica o tenente-coronel José Alexandre Borin, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar. “É um projeto que começou a ser discutido há muito tempo e busca a excelência no atendimento. Buscamos inclusive experiência internacional - na Espanha e no Japão - para implantá-lo”, explica.

Ele lembra que na primeira fase de implantação da filosofia de Polícia Comunitária, Bauru foi dividida em duas companhias, cada uma com três bases comunitárias, para descentralizar e melhorar o atendimento à população. “Trabalhamos essa filosofia com o nosso público interno e externo. Depois veio a solidificação dos Consegs (Conselhos Comunitários de Segurança), que aproxima comunidade da polícia, e a implantação de programas como o policiamento de bicicleta, de educação no trânsito para alunos de 1.ª a 4.ª série, o Jovens Construindo a Cidadania, entre outros, tudo dentro dessa filosofia”, diz.