11 de julho de 2026
Política

Lima Verde 'briga' pela Agricultura

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, se posicionou ontem contra a extinção da Secretaria Municipal de Agricultura. O recém-empossado prefeito Dudu Ranieri (PFL) já anunciou que a pasta deverá perder o status de secretaria para se transformar num departamento da administração.

“Todo político que assume o poder tem que modificar alguma coisa para mostrar serviço. Isso faz parte da cultura dos nossos políticos”, desabafa Lima Verde, irritado com a pretensão do novo prefeito. “É preciso abrir a discussão (sobre a Secretaria de Agricultura) antes de qualquer medida mais drástica”, pede.

Criada no início da segunda gestão do ex-prefeito Antonio Izzo Filho (1997), a consolidação da Secretaria Municipal de Agricultura passou a enfrentar momentos de instabilidade a partir da instalação do governo do ex-prefeito Nilson Costa (PTB), que também ameaçou a sua existência, mas recuou após pressão dos representantes do setor.

Para Lima Verde, se Dudu extinguir a pasta, a decisão significará retrocesso para o município. “A Secretaria de Estado da Agricultura e o Ministério da Agricultura só firmam convênios para liberação de verbas do setor com municípios que têm Secretarias de Agricultura”, avisa.

O ruralista também critica a administração do ex-prefeito Nilson Costa para o setor. “A busca de recursos nas duas instâncias só depende da vontade política do prefeito e do secretário. Sempre me coloquei à disposição da administração para ir a São Paulo e a Brasília em busca de verbas”, garante.

Lima Verde tem bom trânsito nas instâncias estadual e federal e exerce cargos de representação no setor que o habilitam a participar de reuniões internacionais na condição de membro brasileiro da área agrícola. Ele lembra que mais da metade dos municípios paulistas - ou seja, mais de 300 cidades - tem secretaria de Agricultura.

“Mesmo com todas as dificuldades, a Secretaria de Agricultura de Bauru conseguiu convênios para a instalação de pontes metálicas nas vicinais”, comenta. O líder ruralista conta que chegou a conversar com o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para a instalação de um escritório em Bauru.

“Me coloquei para abrir o caminho e mais uma vez não houve vontade política da administração. Acho tudo isso no mínimo falta de bom senso. A Secretaria de Agricultura de Bauru está estruturada. Se ela funciona mal, é culpa direta da administração municipal”, critica.

O presidente do Sindicato Rural lembra, ainda, que há vários conselhos em plena atividade na secretaria, responsáveis pela discussão e implementação da política agrícola do município.

“Não é porque Bauru não tem uma agricultura forte, de peso, que deve se extinguir a pasta. Pelo contrário. Ela deve ser mantida justamente para fomentar o setor, desenvolver as atividades que possibilitem que o município gere divisas e riquezas desta que é considerada a área mais importante em outros países”, afirma.

Para o sindicalista, o prefeito deve ter bom senso antes de tomar a decisão de acabar com a Secretaria de Agricultura. “A pior coisa do mundo é você destruir algo que foi construído com sacrifício. Se isso ocorrer, a reconstrução é praticamente impossível”, finaliza.