10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Campanha salarial pára bancos privados

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Todas as agências dos bancos privados localizadas no Centro da cidade interromperam suas atividades e atendimento ao público durante todo o dia de ontem. A paralisação é parte da campanha nacional por reajuste salarial e melhores condições de trabalho dos bancários, mas a negociação com os banqueiros, marcada para ontem à tarde, foi cancelada.

Desta forma, a categoria continua sem resposta e motivada a seguir em frente com as paralisações e uma possível greve.

Aderiram à paralisação de 24 horas, juntamente com bancários de todo País, as agências centrais do Banco Itaú, Bradesco e Bradesco Prime, Nossa Caixa, ABN/Amro Bank/Real, Banco Mercantil do Brasil, HSBC, Santander, Sudameris, BCN e as duas unidades do Unibanco. As agências localizadas fora da região central funcionaram normalmente durante todo o dia.

O balanço parcial, fornecido pelo Sindicato dos Bancários de Bauru e Região no final da tarde de ontem, indicava paralisação parcial ou total em diversas agências de Araraquara, Limeira, Campinas, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e muitas outras cidades do País.

De acordo com um dos diretores do sindicato, Rogério Machini, o único problema registrado em Bauru durante todo o dia foi com o Banco Itaú, que conseguiu um interdito proibitório, documento que impediu a concentração de manifestantes em frente à agência. “Mas nós vamos tomar alguma providência, porque isso é uma forma de coibir nosso direito de organização”, afirma.

Uma reunião com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) estava marcada para ontem, mas foi cancelada de última hora, segundo o diretor do sindicato. A Fenaban é a responsável pela negociação salarial com a categoria.

“A gente entende isso como mais um ato de provocação dos banqueiros, e a nossa executiva vai decidir quais as próximas ações. Isso pode indicar paralisações mais contundentes ou até uma greve na primeira semana de outubro”, declara Machini.

Marcos Tadeu Lenharo, também diretor do sindicato, relata que as propostas apresentadas pela Fenaban até o momento foram insatisfatórias para os trabalhadores. As propostas ofereciam 10% de reajuste salarial, abono de R$ 1.320,00 mais Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 80% do salário e uma parcela fixa de R$ 600,00, dividida em dois pagamentos.

Os bancários reivindicam 21,58% de reajuste, PLR de 25% do lucro bruto, fim das demissões e garantia de emprego, com contratação de mais funcionários para diminuição das filas nos bancos. “O abono é uma política compensatória dentro do arrocho salarial. Os banqueiros não repõem o processo inflacionário e iludem com o abono, que dá a sensação de ser um valor considerável, mas é único, recebido só uma vez. O salário, por sua vez, se eterniza e tem reflexos nas contribuições, no INSS, Imposto de Renda”, aponta Lenharo.

Em todas as agências com os serviços paralisados, os caixas eletrônicos permaneceram abertos aos clientes. A manicure Aidê Fátima da Silva se sentiu prejudicada com a paralisação, mas disse que entende a posição dos bancários. “Eu vim (ao banco) pagar uma prestação, e não consigo pagar no caixa eletrônico porque já está atrasada. Mas é um direito deles fazerem a greve”, diz.

Já o vigia Antônio Joaquim da Silva deu seu apoio ao movimento pelo reajuste salarial. “Eu só vim ver meu saldo no caixa eletrônico. Acho que cada um tem o direito de querer ganhar mais, é direito de todo trabalhador. A greve não me atrapalhou, de jeito nenhum”, afirma.

Na opinião da estudante Ediele Mendes, que também não conseguiu pagar uma conta, a paralisação tumultua a vida dos clientes. “Não tem como eu ir até outro banco fora do Centro. A greve atrapalha, mas se o serviço deles tem qualidade, eles têm o direito de pedir aumento e os clientes têm de compreender”, conforma-se.