O escritor bauruense Richard Simonetti lança hoje mais um livro. “Antes que o Galo Cante”, publicado pela CEAC Editora, é a 34ª obra da carreira do autor espírita, o mais profícuo escritor bauruense, que já vendeu cerca de um milhão e setecentos mil exemplares.
Simonetti realiza uma sessão de autógrafos de “Antes que o Galo Cante”, hoje, às 9h, no Centro Espírita Amor e Caridade. Amanhã e quarta-feira, o escritor volta a autografar a obra no mesmo local, às 20h.
A seguir, os melhores trechos de uma entrevista com o escritor sobre o novo livro, sua carreira e o Espiritismo.
Pergunta - Com 34 livros publicados você se considera realizado como escritor? Richard Simonetti - Estou longe disso. Sou um operário da palavra, cujas produções exigem estudo, pesquisa e muito esforço. Escrever tem sido para mim um processo permanente de aprendizado, sempre buscando melhorar a forma e o conteúdo.
Pergunta - Nota-se um ampla diversidade em sua produção literária – histórias, contos, crônicas, filosofia, religião, perguntas e até um romance. Essa diversidade é intencional ou vai acontecendo? Simonetti - Diria que toda a minha literatura é intencional, envolvendo a divulgação da doutrina espírita. O Espiritismo situa-se numa vanguarda de idéias renovadoras, com extraordinário potencial de consolo e esclarecimento.
Pergunta - Por que o título “Antes que o Galo Cante” para o livro que está sendo lançado? Simonetti - Ele faz menção à negação de Pedro, na célebre passagem evangélica, envolvendo drama do calvário. Esse livro completa um série de seis sobre a vida de Jesus. Cada um deles reporta-se a um período, com título relacionado. “Paz na Terra”, o primeiro, cujo título faz referência à anunciação dos anjos, enfoca desde o nascimento de Jesus até o início de seu apostolado. Os demais enfocam outros períodos.
Pergunta - Qual o objetivo dessa série de livros? Simonetti - Contar a vida de Jesus, à luz do Espiritismo. Há muitas passagens e parábolas evangélicas que nos parecem nebulosas, de difícil interpretação, justamente por faltar o conhecimento que a doutrina nos oferece.
Pergunta - Há quem diga que o Espiritismo não tem nada a ver com o Evangelho… Simonetti - Essa idéia revela desconhecimento dos postulados doutrinários. O livro espírita mais famoso e vendido é “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, onde Allan Kardec demonstra que o Espiritismo é um desdobramento do Cristianismo. Na obra mediúnica de Francisco Cândido Xavier, o maior médium psicógrafo de todos os tempos, isso também é ressaltado.
Pergunta - A fonte de seus estudos sobre a vida de Jesus foi o Novo Testamento? Simonetti - Foi a principal. Muitas outras foram consultadas, envolvendo livros espíritas, católicos, evangélicos, leigos… Busquei abeberar-me também na tradição cristã, envolvendo livros apócrifos que nos trazem informações que não constam do texto evangélico.
Pergunta - Poderia dar um exemplo? Simonetti - O nome de Salomé, que pediu a cabeça de João Batista, não consta do Evangelho, bem como o nome dos reis magos. Não consta também o nome de Verônica, que teria enxugado o rosto de Jesus, quando carregava a cruz, ficando impressa sua imagem no pano, episódio também não registrado. Detalhes assim e muitos outros, omitidos pelos evangelistas, nos permitem uma visão mais completa da epopéia evangélica.
Pergunta - Até que ponto o Espiritismo fornece informações sobre o Evangelho? Simonetti - Podemos falar de uma historiografia espírita. A partir de notícias colhidas na Espiritualidade, temos uma visão mais clara e completa sobre a epopéia evangélica. O próprio Kardec usou informações desse gênero para escrever “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
Pergunta - O Espiritismo pode ser apontado como a religião do futuro? Simonetti - Não necessariamente a religião do futuro, mas o futuro das religiões. Mais cedo ou mais tarde, as religiões tradicionais assimilarão idéias como a reencarnação, a lei de causa e efeito e a mediunidade, que antes de serem princípios espíritas constituem leis divinas. Quando Darwin formulou a Teoria da Evolução foi criticado, atacado, caluniado. Hoje há evidências suficientes para demonstrar que se trata de uma lei natural, não uma fantasia. Assim acontecerá com o Espiritismo.
Pergunta - Um levantamento do IBGE demonstra que os espíritas situam-se num nível cultural acima dos adeptos de outras religiões. O Espiritismo pode ser considerado elitista? Simonetti - O perfeito entendimento dos temas espíritas exige alguma cultura. Mas isso tudo pode ser trocado em miúdos e colocado ao alcance do leitor menos culto. É, aliás, um trabalho que tenho tentado fazer, permitindo ao leitor um entendimento da mensagem espírita sem necessidade de uma base cultural maior.
• Serviço
Sessão de autógrafos com Richard Simonetti. Hoje, às 9h, amanhã e quarta-feira, às 20h, no Centro Espírita Amor e Caridade. Rua 7 de Setembro, 8-30.