A partir do próximo mês, quem não usar o cinto de segurança no banco traseiro dos veículo será multado. Apesar de obrigatório por lei, em Bauru cerca de 90% dos passageiros do banco traseiro ainda não utilizam o equipamento, segundo estimativa da Polícia Militar (PM).
O uso do cinto de segurança aumenta em cinco vezes as chances de sobrevivência em acidentes automobilísticos, de acordo com o engenheiro Marcus Romaro, consultor em segurança no trânsito. “O cinto mantém a pessoa fixa, evita que seja ejetada para fora do veículo. Se ficar no carro, terá mais chances de viver”, diz.
Ontem, ele ministrou uma palestra sobre segurança veicular a multiplicadores de informação nesta área, dentro das atividades da Semana Nacional de Trânsito, que será encerrada amanhã com um passeio ciclístico. No mês passado, a PM intensificou a conscientização de motoristas e passageiros sobre a necessidade do uso do cinto no banco traseiro.
Agora, começará a multar. “É um tipo de infração difícil de ser constatada porque exige a abordagem do veículo. O que queremos é que a população se sensibilize e passe a usá-lo”, frisa o tenente Jorge Luís Dias, comandante da Base de Trânsito da PM. A multa para a falta de cinto é de R$ 120,00 e classificada como grave - o motorista tem cinco pontos anotados na carteira.
Ele pede aos motoristas que deixem os cintos do banco traseiro prontos para uso. “Às vezes, o cinto fica escondido atrás do banco. Há casos de abordagem que o motorista diz que o carro não tem cinto no banco traseiro”, comenta.
Na palestra, realizada no Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Carga de Bauru e Região (Sindbru), Romaro explicou o que ocorre em uma colisão com e sem o uso do cinto. “Em qualquer acidente ocorrem três impactos: do veículo contra outro veículo ou obstáculo, do ocupante contra o interior do veículo e dos órgãos internos. E o cinto mantém o ocupante do carro no seu lugar, absorve de 10% a 15% da energia e transmite o restante para as partes mais fortes do corpo”, diz.
O motorista Carlos Eduardo Lourenço confessa que não costuma usar o cinto quando viaja no banco traseiro. “Quando estou dirigindo ou no banco da frente, ponho o cinto automaticamente. Mas no banco de trás a gente esquece. É preciso criar o hábito”, redime-se.
A bancária Lúcia Ferreira, que não dirige, diz que raramente usa o cinto de segurança no banco traseiro. “A gente entra no carro e acaba esquecendo de pôr o cinto. Nem vejo o cinto para falar a verdade e não achava que era obrigatório”, diz
Crianças
Romaro também apresentou, através de vídeo, simulações de acidentes com crianças viajando no banco de trás, feitas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) usando bonecos. As simulações mostram que sem o cinto a criança é projetada para frente, batendo no pára-brisa.
As simulações mostram que o cinto de segurança infantil não oferece nenhuma segurança. O cinto acaba soltando-se e a criança bate contra o veículo. “O correto é a cadeirinha, mas precisa ser um equipamento com certificação e estar corretamente colocado”, alerta.
Crianças maiores de 5 anos podem usar o cinto do veículo do banco traseiro, desde que tenham altura suficiente para não serem enforcadas pela tala diagonal em caso de acidente. Romaro aconselha utilizar um booster, um assento com espaço para o cinto diagonal, para elevar a criança à altura necessária.
A Semana Nacional de Trânsito em Bauru será encerrada amanhã com um passeio ciclístico que sairá do estacionamento do Confiança Max, às 9h. Policiais vão orientar a comunidade sobre a condução correta de bicicletas na via pública e passar dicas de segurança. As inscrições podem ser feitas no próprio local.