08 de julho de 2026
Gastronomia

Capsicum: O sabor das pimentas

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Entre as memórias de criança lembro de meu pai preparando conservas de pimenta para serem levadas a São Paulo. Era um presente para seu cunhado que sofria de diabetes e pressão alta.

Tio Lobo, marido de tia Zizi, na verdade Escolástica, substituia numa boa o sal pela pimenta.

Muito mais tarde, com dores terríveis causadas pela LER, fui aconselhada pelo médico fisiatra a esfregar nas partes doentes uma pomada de Capsicum. A única recomendação: não esquecer de lavar muito bem as mãos antes de dormir com o marido.

Fiquei imaginando como é potente a tal da ardida. A ponto de pesquisar, junto à Embrapa, quais as propriedades da dita cuja.

Descobri, entre muitas outras coisas, que a pimenta libera endorfina. Por isso a dor passa por algum tempo, fazendo com que retornemos às atividades numa boa.

E também que o consumo de apenas meia pimenta de tamanho médio por dia nos dá quase a quantidade necessária que precisamos de vitamina C.

Lá em casa, eu, Zarcillo, Paula e Paloma não ficamos sem a “dedo-de-moça” durante as refeições. Costumo comprá-la fresquinha dos simpáticos proprietários do Mercado Tobaro, da vila Universitária, dar-lhe uma leve escaldada, deixá-la secar ao sol ou no forno, limpá-la muito bem e imergi-las em vinagre e ervas-aromáticas: sálvia, tominho, louro, um dentinho de alho etc. e tal.

O molho caseiro faz sucesso, tanto assim que é preferido em lugar dos industrializados, com exceção do Tabasco, quando sirvo receitas com molho de tomate.

As pimentas fizeram história na trajetória da humanidade. Chegaram às américas através dos espanhóis que, sabichões, denominaram como “capsicum” todas as variedades de pimentas e pimentões aqui encontrados. Era uma forma de valorizar os produtos nativos e expandir o comércio, já que a pimenta-do-reino, caríssima e rara, somente era obtida de cipós da espécie “Piper nigrum”, especiaria só encontrada na Índia e Extremo Oriente.

A jogada deu certo e a “capsicum” se difundiu pelo mundo todo. Hoje, estão catalogadas mais de 2 mil variedades, cada qual com aroma e sabor bastante distintos: a pimenta seca é mais saborosa e menos picante, enquanto que a fresca, que ainda não perdeu seu óleo natural, é mais ardente.

O que torna as pimentas ardidas é uma substância chamada de “capsaicina”. Quando a mordemos ou a espregamos em alguma parte do corpo, o cérebro age como se sentisse dor, liberando endorfina, hormônio que causa grande sensação de prazer. Talvez por isso eu seja viciada nelas.

Chili mexicano

No México, não há prato que não leve pimenta em seu preparo. Eu me amarrei, quando estive na Zona Rosa, na Cidade do México, nos tacos polvilhados com a Habanero Chili. Resolvi todos os problemas de medo e altitude na hora, com a ajuda também de algumas Coronas (uma das cervejas locais).

Mais tarde obtive a explicação: a reação à pimenta é igual a que sentimos quando estamos em pânico, no máximo da ansiedade, mas com uma diferença: o alívio é prazeroso e imediato.

No México os chilis mais disputados são os “jalapeños” verdes ou vermelhos e os serranos, utilizados em salsas (molhos).

Outros povos, como os árabes, por exemplo, também fazem uso constante das pimentas para conseguir melhor sabor em seus pratos típicos como o couscous marroquino e as esfihas.

Os sírios e libaneses preferem pimentas de sabor mais suave, caso da “jamaica” que é misturada a outros condimentos. Na Índia, as pimentas verdes e vermelhas, entram no preparo de pastas oleosas e na Tailândia, as “priks” (pimenta na língua nativa) mais comuns para dar cor e sabor aos pratos são a pimenta-de-caiena, a malagueta e a dragão tailandês.

Dedo-de-moça

A dedo-de-moça é a pimenta mais comum do Brasil, embora, no Nordeste (principamente na Bahia), a pimenta-de-cheiro seja muito utilizada.

Popularmente chamada de pimenta-de-bode, a pimenta-de-cheiro não falta em pratos típicos como o xinxim de galinha e o bobó de camarão. Além de contribuir nutricialmente no cardápio nordestino, seu ardor faz com que o calor dos trópicos seja mais suportável.

Também fazem parte do rol de brasileiras, a pimenta comari (que lembra um pimentão doce), a pequena e ardida malagueta e a rosa que, na verdade, não chega a ser uma pimenta.

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Salada de pimentões

• 3 pimentões vermelhos e 3 pimentões amarelos bem carnudos

• 3 colheres (sopa) de azeite de oliva

• 1/2 colher (sopa) de orégano

• 4 colheres (sopa) de azeitonas pretas pequenas

• 200 g de queijo mussarela (de preferência de búfala)

• 1 ou 2 folhas de louro

• 1 cebolinha verde

• Pimenta dedo-de-moça em pó

Lavar os pimentões, enxaguá-los e colocá-los em forno quente até que a pele se solte. Retirá-los do forno, envolvê-los em papel-alumínio e deixá-los descansar por 10 minutos e deixar curtir por algumas horas antes de servir.

Em seguida, retirar a pele e as sementes, cortá-los em tiras e colocá-los em uma tigela com o azeite. Salgar e juntar o orégano e as azeitonas. Esmigalhar o queijo e juntar aos demais ingredientes. Acrescentar pimenta a gosto.

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Antepasto de peperoni

• 2 pimentões vermelhos médios

• 2 pimentões amarelos médios

• 2 pimentões verdes médios

• 12 filés de anchovas em conserva escorridos

• 1 colher (sopa) de salsa picada

• 2 colheres (sopa) de suco de limão

• 3 colheres (sopa) de azeite de oliva

• 3 colheres (sopa) de água

• Sal e pimenta a gosto

Retire as sementes e a pele dos pimentões e cortá-los em tiras no sentido do comprimento e colocá-los por cima os filés de anchovas.

Em uma tigelinha, misturar a cebolinha verde, a salsa, o suco de limão, o azeite e a água. Temperar com sal e pimenta e misturar bem. Espalhar o molho preparado sobre as tiras de pimentão e servir.

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Penne no pão

Massa:

• 250 g de macarrão tipo Penne

• Água suficiente para o cozimento

• Sal a gosto

• 4 colheres (sopa) de queijo parmesão

Molho:

• 2 cebolas médias picadas

• 1 pimentão vermelho

• 5 tomates médios picados

• 2 colheres (sopa) de azeite de oliva

• 1/2 colher (chá) de erva-doce em grãos

• 1 colher (chá) de sal

• 1/2 colher (chá) de molho de pimenta vermelha

• 300 g de carne moída (patinho ou coxão-duro)

Cozinhe o macarrão, escorra e reserve.

Em uma panela média, misturar todos os ingredientes do molho e colocar para ferver em fogo alto. Abaixar a chama e deixar cozinhar até a carne ficar macia. Escorrer o macarrão e misturá-lo ao molho. Transferir para o pão italiano e polvilhar com parmesão.

Servir esta massa dentro de um pão redondo. Tirar antes uma tampa e um pouco do miolo do pão. Depois rechear o pão integralmente com o penne e tampá-lo.