Pederneiras - Para a secretária estadual de Desenvolvimento e Assistência Social, Maria Helena Guimarães de Castro, a violência infanto-juvenil está associada à falta de diálogo na família, na escola e na comunidade.
“Nós assistimos diariamente cenas de violência em escolas. Sabemos que para mudar isso é preciso respeitar as diferenças, ser tolerante, mas principalmente se abrir ao diálogoâ€, acredita ela.
Na opinião da secretária, “muitas vezes, a escola, a família, a comunidade não abrem espaço para o diálogoâ€. E isso, segundo ela, acaba agravando uma situação de conflito e violência entre os mais jovens.
Ela concedeu entrevista ao Jornal da Cidade durante sua passagem por Pederneiras (26 quilômetros a Leste de Bauru), onde participou, na última sexta-feira, da 5ª Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.
O evento reuniu mais de 1.000 pessoas e foi o primeiro, em quatro anos, realizado no Interior do Estado. As edições anteriores foram feitas na Capital.
Durante dois dias (sexta e sábado), a conferência, intitulada “Pacto Pela Paz - Uma Construção Possívelâ€, colocou em discussão os avanços, dificuldades e propostas dos municípios paulistas para a área da infância e da juventude.
O objetivo desse encontro, segundo os organizadores, é elaborar propostas que tornem cada vez mais eficientes as políticas de proteção da vida e da cidadania das crianças, adolescentes e jovens.
Na entrevista, a secretária falou também sobre os projetos futuros e o orçamento para programas sociais, que segundo ela, ficou maior do que era previsto no início do ano.
Jornal da Cidade - Por que Pedederneiras foi escolhida para sediar a primeira Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente fora da Capital paulista?
Maria Helena - A conferência foi realizada em Pederneiras, em primeiro lugar, porque é muito importante valorizar as cidades do Interior. Depois, a cidade oferece uma boa estrutura para sediar o evento e, além do mais, tem feito um trabalho muito importante na área que envolve crianças e adolescentes. Então, essa foi uma maneira de valorizar o Interior e também o trabalho que a prefeitura da cidade vem realizando.
JC - Dentre os temas discutidos na conferência, qual deles pode ser considerado o principal?
Maria Helena - Sem dúvida, a questão central da conferência é a formação de políticas públicas para a criança, adolescente e jovem voltadas para a construção da paz. Nós sabemos que um dos temas mais complicados, que todos têm de enfrentar quando o assunto envolve os jovens, é a violência. Eu diria que esse é o tema transversal, que está presente na formulação das políticas. Daí a importância das parcerias entre os setores públicos e privados, os governos municipais, estaduais e federal, de entidades não-lucrativas, como as ONGs.
JC - Então, a violência é o que mais preocupa atualmente?
Maria Helena - Hoje, o tema da violência infanto-juvenil é fundamental. Nós assistimos diariamente cenas de violência em escolas no Brasil, no Estado de São Paulo e no mundo. Nós sabemos que para mudar isso é preciso trabalhar de outro modo, é preciso respeitar as diferenças, ser tolerante, mas principalmente se abrir ao diálogo. Qualquer situação de conflito, ela só pode ser enfrentada se houver diálogo e se houver consciência de quais são os problemas que estão causando esse conflito. Está faltando isso. Muitas vezes, a escola, a família, a comunidade não abrem espaço para o diálogo. Isso reforça uma situação de violência. Por isso, é um tema muito importante, que vem sendo discutidos nas conferências estaduais da criança e do adolescente.
JC - Existe algum projeto que a secretaria pretenda lançar em breve?
Maria Helena - Existe sim. Nós estamos definindo uma proposta de concentrar todos os programas de atendimento à criança, adolescente e jovem em situação de risco, numa só área. Hoje, os programas estão muito pulverizados em diversas secretarias. E o governador (Geraldo Alckmin) já mostrou interesse para que haja uma concentração desses programas em uma única área.
JC - Há previsão de quando isso vai ser feito?
Maria Helena - A secretaria está elaborando a proposta em conjunto com o secretário da Casa Civil, Arnaldo Madeira, e com o secretário do Planejamento, Andrea Calabi. Ela será apresentada ao governador nesta semana e envolve programas não só da criança e do adolescente, mas também os de capacitação profissional e geração de renda.
JC - Atualmente, corte de despesa é uma palavra de ordem nos governos municipais, estaduais e federal. De alguma forma a Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social foi atingida com a redução de verbas?
Maria Helena - A secretaria não teve nenhum corte neste ano. Ao contrário, nós tivemos um aumento de orçamento. O orçamento previsto para este ano era de R$ 152 milhões. Nós vamos fechar o ano executando um orçamento de R$ 164 milhões. Apesar das dificuldades, houve aumento dos gastos.
JC - Isso significa que a área social está recebendo prioridade do governo do Estado?
Maria Helena - Exato. E outro exemplo disso, é que o governo ampliou o número de famílias atendidas pelo programa Renda Cidadã, desenvolvido nos 50 municípios mais pobres do Estado e também naqueles que têm presídios. A previsão é de que no próximo ano essa expansão continue, com ênfase na criança, no adolescente e também na família.