09 de julho de 2026
Política

Dudu alega pouco tempo para nomear

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Uma entre inúmeras frases que passaram a fazer parte do jargão político é: “Ninguém governa sozinho”. De tão repetida, ela tornou-se chavão no meio. Mas, pelo menos do ponto de vista técnico-administrativo, o prefeito Dudu Ranieri (PFL) ainda não conseguiu nomear sua equipe de secretários.

Completada uma semana útil no cargo, o chefe do Executivo já exonerou dezenas de ocupantes de cargos comissionados. Entretanto, a equipe oficial do primeiro escalão ainda não está “escalada” para governar junto com ele.

Empossado na função pela Câmara Municipal de Bauru na madrugada do último dia 20 de setembro, em razão da cassação de Nilson Costa (PTB), Dudu comenta que não teve tempo suficiente para costurar as indicações.

Até agora, o governo tem apenas três nomes para o primeiro escalão. Dois deles, por sinal, foram confirmados ontem à noite. Dudu disse que Edson Massa será o secretário de Esportes e Roberto Badan vai assumir o Departamento de Água e Esgoto (DAE). Na semana passada, Rubens Spíndola foi indicado para presidir a Companhia de Habitação Popular (Cohab).

Nenhuma posse ocorreu. Mas o novo chefe do Executivo diz que não está preocupado com o fator tempo. Ao comentar a forma como conduz o processo pessoal de escolha, Dudu vai na linha do ditado popular: “Quem tem pressa come cru”.

O prefeito justifica: “Não vou nomear correndo e depois descobrir que eu errei para ter que tirar”. Aliás, o próprio Ranieri disse em seu discurso de posse que iria governar “junto com a sociedade”, “ouvindo os diferentes segmentos”.

Dudu anunciou, na semana passada, a equipe de secretários interinos. Disse que vai extinguir a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e acabar com a função de secretário-adjunto.

Mas as pastas principais do governo só estarão preenchidas, ainda que provisoriamente, a partir de hoje. Ainda faltam decretos de nomeação. Já a eliminação do cargo de adjunto vai esperar a elaboração de projeto de lei a ser enviado à Câmara.

Se a formação da equipe de governo fosse uma discussão entre tucanos e petistas, um comentário provável seria: “Governar é uma coisa, falar é outra”. Mas na prefeitura de Bauru a questão envolve outros fatores.

Sem tempo

Na prática, Ranieri argumenta que o acúmulo de problemas nos últimos dias o impediu de fazer as amarrações políticas necessárias para as nomeações. “Não tem dificuldade nenhuma para nomear. O que acontece é que não sobrou tempo ainda para quase nada. Só aparece assunto pendente para resolver”, comenta.

Empossado na função na madrugada do dia 20 de setembro pela Câmara Municipal de Bauru, após a cassação de seu ex-aliado político, Nilson Costa, diz que ainda não teve tempo para discutir e elaborar os convites para as funções principais. “Não dá tempo. Fiquei uma semana procurando me inteirar de problemas, das dificuldades”, fala.

Mas a pendência em relação à escolha da equipe já causou alteração em sua agenda política. “Eu adiei a viagem que faria nesta terça-feira para São Paulo porque eu quero tirar o dia para fazer contatos para ir começando a nomear”, menciona. Ranieri havia conseguido audiência com o vice-governador, Cláudio Lembo (PFL), para pedir apoio para seu mandato de transição.

O prefeito não considera que o fato de ter, em tese, apenas um ano disponível para exercer seu mandato esteja influenciando. “Nenhuma das pessoas que convidei até agora colocou qualquer restrição porque o mandato é curto. É que eu fiz poucos convites porque não tive tempo”, reforça.

Ele também se diz despreocupado com o anúncio feito pelo ex-prefeito Nilson Costa (PTB) de que o Judiciário será acionado, nos próximos dias, para a tentativa de retorno ao cargo. “Não tenho a menor preocupação com o retorno do Nilson. O Legislativo cassou e o Judiciário não faz interferência de mérito”, opina.

Desta forma, o novo prefeito acha que também não existe insegurança política. “Não creio que os convidados fiquem preocupados em assumir para depois ter que sair. O Nilson já foi cassado, não existe isso. Bauru tem pressa é de ter recuperada sua auto-estima. O povo está cabisbaixo”, discursa.

De fato, a população viveu, nos últimos anos, a troca de dois prefeitos cassados por denúncia de omissão, negligência e improbidade administrativa. Nilson Costa assumiu no lugar de Izzo Filho, em 28 de agosto de 1998. Agora, Dudu foi alçado ao cargo com a queda de Nilson.

Criticado por ter feito um governo lento em suas decisões, Nilson assumiu em 28 de agosto de 98 indicando, de pronto, quatro secretários. Nos dias seguintes, escolheu outros nomes. Já Dudu indica que não tem pressa para escolher, talvez para ficar no cargo até o fim do governo.

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