09 de julho de 2026
Polícia

Belga é preso por rapto em Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Um professor belga acusado de raptar as filhas foi preso está semana na Vila São Paulo, numa operação conjunta entre as polícias Federal e Militar. Ele foi localizado com as duas meninas, de 8 e 9 anos, no cômodo onde vivia, nos fundos do bar onde trabalhava.

De acordo com informações do delegado da Polícia Federal, Renato Casarini Muzy, o belga Vanderginste Geert Jules Michel estava no País há pouco mais de um ano. Ele teria optado por morar em Bauru por conhecer uma professora residente na cidade.

O belga teria trocado uma vida estável na Bélgica por outra repleta de privações no Brasil para conviver com as filhas.

No país de origem, a guarda das crianças é da mãe, que comunicou o rapto das filhas à Interpol (polícia internacional). Os três serão deportados. As menores, provavelmente até o final da semana e ele, no máximo em 60 dias.

Michel foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo. “Ele está preso por ordem da Justiça Federal. É uma prisão administrativa de dois meses”, explica Casarini.

Já a duas meninas estão abrigadas na Casa da Criança, no Jardim Bela Vista, desde segunda-feira, sob os cuidados do Conselho Tutelar.

“Percebemos uma afinidade muito grande entre pai e filhas. A mais nova ficou mais sentida com a separação. A todo momento elas dizem que preferem ficar com o pai em detrimento da mãe”, conta a conselheira e presidente do Conselho Tutelar, Sandra Cristina Ferreira.

De acordo com ela, as meninas falam o português (se fazem entender) e freqüentavam uma escola estadual. Porém, tanto ela quanto o delegado Casarini notaram a flagrante situação de pobreza enfrentada pela família.

“O conselho agendou uma visita na casa onde moravam, mas não encontrou ninguém. Parece que eles viviam com um amigo de Michel, que tinha um filho. As meninas seriam ainda submetidas a exame de corpo de delito.

O resultado do exame e a situação apurada pelo conselho serão relatados ao juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, junto com a solicitação para que as meninas retornem ao país natal.

“É um procedimento rápido”, garante o juiz, que confirma o ineditismo do caso. A ocorrência também mostrou-se incomum para o delegado da Polícia Federal. Segundo ele, se Michel permanecesse no País e fosse julgado culpado pela acusação de rapto, poderia pegar pena que varia de dois meses a dois anos de reclusão. Já na Bélgica, ele pode ficar preso por um período variável de um a cinco anos. Ainda terá ainda de pagar multa de 50 a mil euros.

O Jornal da Cidade tentou entrevistar Michel, mas não conseguiu contato com a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Já a entrevista com as meninas foi vetada pelo Conselho Tutelar. O Consulado da Bélgica preferiu não se manifestar sobre o assunto.