08 de julho de 2026
Regional

Cetesb começa a medir qualidade do ar

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) começou a divulgar nesta semana os boletins diários sobre a qualidade do ar em Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru). A medição, que deve durar no mínimo dois meses, está sendo realizada por meio de uma estação móvel instalada na Faculdade de Tecnologia (Fatec). O objetivo é monitorar os gases emitidos pela queima dos canaviais.

Nos três primeiros dias de medição, incluindo ontem, a qualidade do ar foi considerada regular, o que representa um padrão satisfatório de acordo com a Cetesb. “A gente começa a ficar com um nível de atenção quando passa de inadequado”, afirma o gerente da companhia em Bauru, Rogério Chini.

Segundo ele, o índice de qualidade do ar pode atingir seis classificações: boa, regular, inadequada, má, péssima e crítica. “Quando chega a inadequada, começam a ocorrer efeitos sobre a saúde”, explica.

Para medir a qualidade do ar, a Cetesb segue metodologia estabelecida por uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), de 1990. A medição, que está sendo realizada online por técnicos da companhia em São Paulo, avalia a concentração de dióxido de enxofre, partículas totais em suspensão, material particulado, monóxido de carbono, ozônio e dióxido de nitrogênio.

O processo, afirma Chini, é feito a partir da avaliação de todos esses parâmetros. Qualquer um deles que esteja fora do índice previsto já compromete o resultado final da qualidade do ar.

Durante a análise também são avaliados fatores meteorológicos, como direção e velocidade dos ventos, que definem as condições para dispersão dos poluentes atmosféricos.

Após os 60 dias de medição, a Cetesb fará uma avaliação geral dos dados. Caso os resultados da qualidade do ar sejam insatisfatórios, a companhia vai estudar medidas para solucionar o problema. Entre elas, não está descartada a possibilidade de suspensão de autorização das queimadas.

Unidades

Além da estação móvel de Jaú, a Cetesb mantém unidades em várias localidades do Estado, especialmente na Grande São Paulo, considerada uma região crítica em relação aos problemas de poluição do ar. “A gente procura deslocar essas estações para os pontos mais críticos do Estado”, explica Chini.

Em relação ao problema específico provocado pelas queimadas, essa é a segunda vez que a unidade é acionada. Segundo o gerente da Cetesb, está sendo discutida a possibilidade de manter uma estação móvel da companhia de forma permanente na região.

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Pedido

A estação foi trazida para a região atendendo a um pedido feito pelo promotor do Meio Ambiente de Jaú, Jorge João Marques de Oliveira.

No final do mês de agosto, o promotor chegou a solicitar a suspensão imediata da autorização das queimadas. Na ocasião, ele alegou que a região passa por um período de estiagem associado à intensa atividade de queima dos canaviais, o que estaria trazendo riscos à saúde da população e ao meio ambiente.

A Cetesb deu uma resposta negativa ao promotor, alegando que não dispunha de elementos objetivos e científicos que comprovassem a qualidade insatisfatória do ar. Depois disso, Marques solicitou que a companhia realizasse um monitoramento dos gases emitidos pela queima dos canaviais e o pedido foi atendido.