09 de julho de 2026
Cultura

Artigo: A magia da palavra


| Tempo de leitura: 1 min

“Chove, faz frio e eu, procurando um raio de sol, lembrei de telefonar para você.”

Foi assim que meu filho me acordou no último domingo e eu fiquei pensando por que usamos tão poucas palavras de afeto e ternura no nosso dia a dia. Por que essa inibição, esse constrangimento em mostrar nossos sentimentos? O comum dos relacionamentos é sempre tão árido, tão convencional, tão incolor.

Por que essa parcimônia, essa economia em usar palavras de amor?

Não basta querer bem; as palavras existem para expressá-lo. Já que a palavra foi a maior conquista na evolução do homem, por que não usá-la na convivência social?

Por que essa falta de amenidade, de suavidade no trato familiar, amigos, conhecidos e até desconhecidos que por qualquer razão tenhamos que nos comunicar?

Quando vamos reconhecer que a palavra é mágica? Que ela alegra, conforta, suaviza, numa visita, num telefonema, numa carta, num bilhete deixado a esmo para amenizar e enternecer um momento de solidão?

O mundo não seria menos agressivo e mais lindo se o enriquecêssemos com palavras de ternura? Não seria um raio de sol, como meu filho se referiu, suavizando, abrandando tanta agrura que existe entre as pessoas?

Feliz de quem sabe usar a palavra como veículo participativo de solidariedade; feliz o inspirado, o poético que soube, num domingo de chuva, telefonar dizendo com outras palavras: “Eu te amo”.

A autora, Adelaide Reis de Magalhães, é escritora e colaboradora do Ju Machado Escritório de Arte.