Destacando que o Brasil possui suficiente autoridade ética e moral para defender o imediato desarmamento mundial, o ministro Roberto Amaral, de Ciência e Tecnologia, realçou, em recente seminário, que o País tem poderes para cobrar das nações, que dominam a tecnologia atômica, que desfaçam sem demora os seus clássicos arsenais. “O mundo não vai conhecer a paz que lhe falta simplesmente pela disseminação das armas” - frisou, criticando simultaneamente os governos que dão asas lépidas e velozes à produção de bombas atomizadas. Na sua convicção, idêntica à de toda a opinião pública brasileira, assim como de representantes de inúmeros setores político-administrativos, está o Brasil situado plenamente no campo nuclear apenas, que nada tem a ver com o atomismo insólito e não deve e nem quer invadi-lo. “O problema em que nos encontramos não é de bomba, pois vivemos em um cenário de tradições rigorosamente pacifistas e, consequentemente, nunca viremos a soltar por aí qualquer petardo atômico” - explicou, pondo em destaque as intenções nacionais de manterem vivos seus reais objetivos científicos “sem nenhuma bomba”... Logicamente, então, a nossa tecnologia, bem assentada que está em termos de absoluta paz, tem à frente unicamente os caminhos dos acontecimentos técnicos, indicadores de rotas de autênticos desarmamentos bélicos ou correlatos, como as que apontam às nações notoriamente beligerantes, eternamente determinadas a se manterem armadas com amplos estoques de explosivos não apenas atômicos como dos demais tipos adotados em seus desastrosos e altamente pesarosos confrontos com os adversários, por seu turno armados com os mesmos poderosos aprestos de guerra. Entende o tecnólogo que precisam mudar imediatamente de idéias e preconceitos fatídicos os que não queiram conhecer de perto, pertinho mesmo, as belezas da paz e da fraternidade, e, por isso, conservam-se amplamente armados e municiados. Mas isso é com eles, nada conosco, eis a verdade indesmentível. Têm os brasileiros, unicamente, de cantar a plenos pulmões: “tô nem aí, tô nem aí,” e estamos definitivamente conversados, não é mesmo ilustre ministro? É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
Em patriótica opinião que escreveu para este espaço na edição de ontem, enfocando aspectos econômicos da vida nacional, o engenheiro Tidei de Lima acrescentou simpáticas referências ao nosso artigo de terça-feira, corroborando conceitos por nós emitidos na matéria. Agradecemos imensamente ao preclaro amigo, observando na sua apreciação sólidos incentivos para o prosseguimento da nossa caminhada profissional.