08 de julho de 2026
Geral

Batalha baixa e começa a faltar água

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O nível do rio Batalha estava meio metro abaixo do normal ontem à tarde, segundo o Departamento de Água e Esgoto (DAE). Apesar da significativa redução do volume do manancial, a quantidade de água captada continuava a mesma. Porém, como o calor aumenta o consumo, começou a faltar água em algumas regiões altas da cidade.

O DAE recebeu cerca de dez reclamações de falta de água ontem à tarde, de moradores da Vila Cardia, Altos da Cidade e Centro, informa a assessoria de imprensa da autarquia. “Pedimos à população que economize água porque até quarta-feira não há previsão de chuva. E sem chuva o rio não volta ao nível normal”, diz Sandra Faria, assessora de imprensa da autarquia.

A previsão do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) para Bauru hoje é de tempo bom e temperatura máxima entre 32 e 34 graus. De amanhã até terça-feira, a tendência é de aumento da nebulosidade e temperaturas elevadas. Ontem, a temperatura máxima foi de 34,6 graus.

O rio Batalha abastece 42% de Bauru (cerca de 137 mil pessoas da área central, zona sul e regiões da Vila Falcão e Vila Independência). Até o final da tarde de ontem, o DAE não havia planejado rodízio no abastecimento, mas a adoção da medida não está descartada se a falta de água agravar-se neste final de semana, segundo a assessoria.

“Os técnicos vão trabalhar durante todo o final de semana para monitorar o rio Batalha e avaliar a situação. Na falta de água, a primeira medida é o abastecimento através de caminhões-pipa. A segunda, se for necessária, é fazer rodízio do abastecimento”, diz Faria.

O DAE dispõe de quatro caminhões-pipa que poderão ser usados em caso de necessidade. Outra alternativa é, através das interligações de rede, desviar água das regiões abastecidas por poços profundos (58% da cidade) para as áreas atendidas pelo rio Batalha, informa a assessoria de imprensa. Por isso, toda a cidade deve economizar água.

A expectativa dos técnicos do DAE era que o nível do rio recuperasse pelo menos alguns centímetros de ontem para hoje. “Esperamos que o rio recupere um pouco à noite, com a queda da temperatura e redução do consumo. Mas sábado (hoje) é um dia de alto consumo de água porque as pessoas costumam fazer limpeza em casa e lavar carro”, explica a assessora de imprensa.

A orientação do DAE é para economizar água em todas as atividades e nunca usar o jato para lavar calçadas, quintais e carros. “É melhor deixar o quintal empoeirado a gastar agora e depois não ter água nem para as necessidades básicas”, alerta Faria.

• Serviço

O telefone do DAE é 0800-77-10-195.

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Expectativa frustrada

Só quinze dias após anunciar medidas que livrariam a cidade do rodízio de água em período de seca, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) volta a ameaçar com o desabastecimento. No mês passado, a autarquia apresentou à imprensa uma draga desenvolvida por funcionários, que conseguiu triplicar o leito de captação do rio Batalha e dobrar sua profundidade.

Na oportunidade, a engenheira Nilcéia de Fátima Paes Lourenço, na época presidente do DAE, informou que se a estiagem desse ano fosse igual a do ano passado, o desabastecimento seria evitado.

Ela mesma ajudou a construir uma draga de sucção com materiais recicláveis projetada para combater o assoreamento. Também participou do projeto o atual presidente interino da autarquia, Issaar de Almeida.

O equipamento - retira a areia que desce ao longo do rio e vai se acumulando no fundo - aumentou o leito do Batalha, que passou de 1,2 metro de profundidade com cerca de 15 metros de largura e 300 metros de extensão para 2,2 metros de profundidade com 65 metros de largura e 350 metros de extensão. O trabalho, porém, não foi suficiente para driblar a estiagem.

Durante o processo de limpeza do rio, que começou em fevereiro, mais de uma centena de caminhões de terra foram retirados do leito de captação, assim como inúmeros pés de taboas – planta que cresce às margens do rio e que também provoca seu assoreamento. (Luciana La Fortezza)