O ex-vereador Rubens Spíndola (PFL) assumiu, ontem à tarde, a presidência da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) pregando austeridade e a eliminação das vagas sem necessidade. Apesar disso, o ato de posse de ontem incluiu a manutenção de nomeações para duas áreas técnicas cuja ocupação é questionável.
Spíndola disse que vai realizar um levantamento interno dos departamentos e das funções. “Os empregados não precisam ficar com preocupação. Mas nós vamos ver quem trabalha e quem não trabalha para corrigir o que for preciso”, anunciou.
Questionado sobre a viabilidade das nomeações de um diretor técnico e habitacional, como vinha ocorrendo nos últimos governos, o novo presidente da companhia disse que o ato cumpriu o estatuto da Cohab. “Nós estamos chegando agora e o estatuto exige que toda a diretoria seja formada, o que inclui essas funções. Nós vamos analisar o caso e mudar o estatuto se for preciso”, indicou.
Porém, ao mesmo tempo, Spíndola acrescentou que isso não vai ocorrer de imediato. “Mas nós precisamos atacar um problema maior que é buscar com que a Cohab volte a construir moradias. Para isso é necessário a área técnica e habitacional”, justificou.
Entretanto, a possibilidade das Cohab’s voltarem a ter o papel de empreiteiras depende do Governo Federal. A decisão política ainda está em discussão na União.
Troca-troca
Na Diretoria Habitacional, a vaga foi ocupada por Benedito Botelho de Souza. A Diretoria Técnica ficou com Flávio Lopes Filho. Eles compõem o grupo de correligionários do prefeito Dudu Ranieri (PFL).
Foram destituídos das funções de diretoria, Ricardo Oliveira, Rubens de Souza e José Carlos Dias, além de Constante Mogioni, que presidia a companhia. Spíndola terá como diretor financeiro Ricardo Garbino Torres e administrativo, Gérson Moraes Filho.
Vale pontuar que as funções administrativa e financeira estão entre as consideradas necessárias para o funcionamento da empresa. O prefeito Dudu Ranieri (PFL) também avalia como desnecessária a manutenção das diretorias técnica e habitacional se a situação atual for mantida. “Sem a função de construir casas, essas diretorias são desnecessárias realmente”, avalia.
Mas o próprio Spíndola concorda que o mesmo não ocorre com a área habitacional e técnica. “A Cohab não constrói casas, mas nós queremos que ela volte a construir. Mas nós também temos que ver a razão da empresa manter pedreiros e engenheiros. Vamos fazer uma análise completa”, citou.
A nova direção fez menção ao processo de enxugamento realizado pela gestão anterior. Foi na gestão de Mogioni que a Cohab acabou com muitos fantasmas, reduzindo uma folha de pagamento de R$ 1 milhão para menos de R$ 300 mil.
Hoje, a companhia tem menos de 80 funcionários. Mas algumas salas ainda comportam cadeiras ocupadas por indicações meramente políticas.
O esforço foi realizado, mas não foi completo. Na área financeira e contábil, Mogioni ainda se destaca pelo fato de ter conseguido eliminar os sucessivos resultados operacionais negativos na companhia. Spíndola assume a companhia com os maiores problemas sanados.
Além de completar a etapa de readequação do papel da Cohab, o novo presidente terá que equacionar questões ainda pendentes, como a dívida com a seguradora que deixou milhares de mutuários descobertos. A dívida supera a R$ 20 milhões.
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'Estrutura caríssima'
Em seu discurso de posse, o ex-vereador definiu o dilema vivido pela Cohab. “A Cohab tem uma estrutura caríssima só para fazer cobrança e quem paga isso é o povo”, afirmou.
Na contramão da manutenção de diretorias com necessidade questionável, a Cohab-Bauru ainda mantém estruturas operacionais que carecem de mão-de-obra.
Uma breve visita pelo corredor é suficiente para identificar que alguns setores justificam seus quadros e outros ainda precisam de reforço. Basta fazer a relação objetiva entre o número de processos em análise e os departamentos técnico-financeiros, de atendimento ao mutuário, de processamento e afins.