Começam a surgir as primeiras reais informações sobre o tão decantado empréstimo de 30 milhões de dólares, junto ao Banco Mundial, aquele necessário para que a prefeitura cumpra o seu compromisso com o Ministério Público e inicie o saneamento básico na cidade. Além da dívida que contrairemos, teremos que possuir 14 milhões de dólares em contrapartida, para que o financiamento se concretize.
“Para começar, a desconfiança vem do interesse do Banco Mundial em financiar a obra - bilionária, como são todas as obras que se notabilizaram pela concessão de “comissõesâ€. O Banco Mundial se meteu em centenas de projetos mundo afora, que causaram impactos socioambientais irreversíveis, denúncias de corrupção e motivou até revoltas populares. A mais recente aconteceu em Cochabamba, na Bolívia, entre 1999 e 2001, quando mais de 100 mil pessoas (10% da população da cidade) foram para as ruas reverter a privatização da empresa local de distribuição de água. A concessão desse serviço a uma empresa estadunidense constou da lista de exigências do Banco Mundial ao governo boliviano.†(Jornalista Carlos Tautz, no artigo “Ao cuidar do velho Chicoâ€, sobre o projeto de transposição do rio São Francisco.)
A tal da contrapartida já está quase inviabilizando o negócio, mas esse outro dado merece uma melhor consideração. Ninguém faz nada de mão beijada para ninguém, ainda mais quando se trata de banqueiro internacional, por mais “bonzinho†que aparente ser. Quando se é um país ou uma cidade pobre e o Banco Mundial abana um cheque na sua cara, é muito difícil dizer não, mas quem assina um mau acordo não está a se ajudar. Nem sempre um negócio desses representa um avanço. Portanto, precisamos tomar conhecimento de todos os detalhes desse tal contrato, antes de sua real concretização. Basta de privatizações. (Henrique Perazzi de Aquino)