08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

OBESIDADE MÓRBIDA


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No tocante aos comentários recentemente publicados neste jornal sobre o papel das entidades médicas quanto às cirurgias de emagrecimento dos obesos mórbidos, informamos à missivista e a população em geral que a tarefa de fiscalizar o exercício da profissão do médico compete ao Conselho Regional de Medicina, autarquia federal responsável pela emissão do registro profissional e pela normatização das ações do médico. Por temos sido suscitados publicamente quanto ao assunto, tomamos a providência de oficiar a Delegacia Regional do C.R.M. e respondemos aqui alguns dos questionamentos na carta emitidos. Pelo que conhecemos, não como especialistas da cirurgia bariátrica, mas como médicos, a obesidade mórbida é um problema de saúde que envolve um número grande de comorbidades (doenças associadas), entre as quais a hipertensão arterial, o diabetes melito, diferentes cardiopatias, além de problemas emocionais, estéticos, ortopédicos e dermatológicos. A maioria das tentativas da medicina em contornar essa complexa patologia tem resultado em insucessos e frustrações e é campo frequente de propostas terapêuticas novas.

A série mais recente dessas tentativas é a cirurgia bariátrica, sub-especialidade médica com poucos lustros de experiência e que tem feito propostas de solução temporária ou definitiva do problema, sempre envolvendo diminuição cirúrgica ou prostética do espaço gástrico ou das primeiras porções do intestino.

Pelo que nos consta, ao menos de acordo com as informações que nos chegam por publicações médicas das áreas generalistas, tais procedimentos, mesmo nos grandes centros, não são isentos de complicações pós-operatórias, que incluem infecções graves, fistulas digestivas, distúrbios metabólicos e um número elevado de óbitos, em comparação a outros procedimentos cirúrgicos menos complexos.

As Associações Médicas estão se empenhando em responder uma a uma às questões que a sociedade leiga propõe e a cirurgia bariátrica não foge à nossa observação atenta. O que devemos fazer, no momento, é comparar os resultados locais com os constantes na literatura médica, ouvidas as Sociedades de Especialidades envolvidas na questão, ou sejam a Sociedade Brasileira de Gastroenterologia, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, o Colégio Brasileiro de Cirurgiões, o Conselho Regional de Medicina e em última instância o Conselho Federal de Medicina. Todo e qualquer iniciativa que receba o cunho de científica deve merecer uma interpretação inicial o mais isenta possível, à luz de fatos e evidências estatisticamente testadas.

Com nossas devidas solidariedade e empatia em relação aos indivíduos e famílias envolvidos nos dramas que essa doença fez florescer, aguardamos, como a missivista, respostas. (Dr. Carlos Alberto Monte Gobbo - RG 9.656.203)