09 de julho de 2026
Cultura

Artigo: História de uma pena

Nadyr Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Transcorria o 1937 alucinado por muitas inquietações políticas. À sombra da ditadura de Getúlio Vargas, preparava-se o País para eleições destinadas a instalar o paraibano José Américo de Almeida na presidência da República.

Ainda menino, aprendíamos a arte tipográfica no então Correio da Noroeste, sob a batuta de José Fernandes, Jorge de Castro e Marçal de Arruda Campos. Estaria ali, no quarteirão nove da avenida Rodrigues Alves, a nossa primeira escola de jornalismo, pois um ano depois entraríamos para a segunda e definitiva, convidados por Paulino Raphael, José Lúcio da Silva, João Correia das Neves e Edmundo Antunes para nos transferir para a Folha do Povo, recentemente fundada pelos dois primeiros e instalada na quadra sete da avenida.

De imediato passaríamos a escrever para as edições dominicais noticiário radiofônico e esportivo, cobrindo as atividades da nascente Bauru Rádio Clube, de João Simonetti, e do E.C. Noroeste e Lusitana F.C., hoje Bauru A.C. Logo depois, no entanto, assumiríamos outros tipos redacionais, nos quais permaneceríamos até que, surpreendida por pequeno incêndio, a Folha suspendesse temporariamente a sua circulação.

Eleito prefeito, em 1956, Nicola Avallone Júnior, diretor do Diário de Bauru mas, ao mesmo tempo, representante dos órgãos da Fundação Cásper Líbero (A Gazeta Esportiva e A Gazeta Ilustrada), passou para nossas mãos a referida representação, com a qual ficaríamos até quando, em 1968, Nilson Costa e Jehovah de Oliveira (Valzinho) nos puxaram para a redação do novato Jornal da Cidade, no qual durante 19 anos ficaríamos, inicialmente, incumbidos do noticiário da 1ª página, saltando, posteriormente, para entrevistas com autoridades e figuras gradas da cidade.

Mais uma vez, porém, pularíamos para outro galho da imprensa porque, com o falecimento do prezado primo-irmão Valzinho (quanta saudade!) nos vem sendo confiado este cargo de jornalista responsável do JC por simpática contemporização dos amigos Érico Braga, Renato Zaiden e Marco Antônio de Oliveira.

Quantas primaveras já nos aconteceram de 1937 a esta parte? Mais de 60, durante as quais a nossa pena registrou as muitas conquistas da cidade, como a construção da estação da NOB, Prefeitura, Câmara Municipal, Faculdade de Odontologia, Hospital Regional, Aeroporto, viadutos João Simonetti e JK e vinda da bitola larga da CPEF, além de outras obras importantes para a cidade.

E ainda estamos aqui, dispostos a prolongar nossa jornada, para o que não nos falta o generoso estímulo de tantos amigos, como o que acabamos de receber do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial que, através de seu diretor regional Reinaldo Teixeira Munhoz, condecorou-nos com o Prêmio Senai de Comunicação (placa de prata) como preito à nossa longevidade jornalística, voltada para o progresso da cidade e atendimento de sua população, homenagem que aqui estamos agradecendo profundamente. Essa, a história de nossa pena.