08 de julho de 2026
Bairros

Referências favorecem identidade

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

A existência de pontos de referência comuns a grande parte da população de um bairro ou cidade são importantes para a formação da identidade coletiva da comunidade. É o que afirma o arquiteto José Xaides de Sampaio Alves.

“Apropriar-se de marcos referenciais gera conforto psicológico e prazer. Ajuda a estabelecer uma relação de confiança e de segurança com o lugar. As pessoas sentem-se assim quando conseguem estabelecer esses pontos de identificação coletiva”, diz.

Na opinião de Xaides, a falta de referências numa região da cidade gera sensações desagradáveis. “A tendência, nesses lugares, é de que as pessoas comecem a denegrir e não respeitar aquele ambiente. Deteriorar, procurar sair do lugar e ir para outro”, avalia.

A eleição de referências pessoais ou coletivas depende da relação estabelecida entre os usuários da cidade e os espaços construídos.

“Acabamos criando uma relação de identificação com aquilo que a gente vivencia, com o espaço por onde a gente anda”, explica o profissional.

O viaduto da avenida Duque de Caxias sobre a Nações Unidas é relevante para as pessoas exatamente por ser entroncamento de duas importantes vias da cidade e por concentrar grande quantidade de veículos.

Para Xaides, o Parque Vitória Régia é um marco paisagístico do qual as pessoas se lembram mas com o qual geralmente têm pouca intimidade. “É um espaço de passagem. Não podemos falar que esse marco nasceu da relação próxima das pessoas com ele. Certamente não”, frisa.

Da mesma forma, o Aeroclube de Bauru é um local que, embora seja considerado uma referência para os moradores da cidade, é visitado apenas em eventos e ocasiões especiais.

Por outro lado, o Calçadão da Batista de Carvalho é bastante “utilizado” pelos bauruenses. “Essa relação se estabelece pela necessidade, pelo uso decorrente do comércio. Além do aspecto estético”, observa.

Entre os espaços livres, Xaides destaca a Praça Rui Barbosa, o Calçadão da Batista de Carvalho, o Parque Vitória Régia e as avenidas Rodrigues Alves, Duque de Caxias e Nações Unidas.

“Eles extrapolam o lado pessoal e vão para uma identidade coletiva porque grande parte da população identifica, sabe onde se localiza e sabe a importância que têm.”

Xaides avalia que o prédio da antiga estação ferroviária da Noroeste do Brasil (NOB) perdeu valor como referência por falta de uso pela população.

Fragmentos

De maneira geral, o arquiteto acredita que os centros urbanos - principalmente os históricos - são pontos que funcionam como marcos para grande quantidade de pessoas, enquanto outros importantes lugares situados em bairros são identificados por apenas uma parcela da população.

“Você raramente vai encontrar uma pessoa em Bauru que não conheça a Praça Rui Barbosa. Mas, se você falar da avenida Marcos de Paula Raphael, a maior parte das pessoas não conhece. Para a população do bairro em que ela está, é importante”, expõe.

Pelo mesmo motivo, é esperado que a Catedral do Divino Espírito Santo, no Centro, seja mais conhecida que Igreja da Sagrada Família, no Jardim Redentor.