Uma das maneiras encontradas por especialistas para reduzir a incidência de dependência química dentro das empresas é implantar programas de conscientização e reabilitação. Mas são poucas as iniciativas deste tipo no Brasil. Na maioria das vezes, o problema só é identificado quando suas conseqüências aparecem.
“As empresas até têm corpo médico, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), psicólogos, mas elas não fazem a testagem química. Então, só percebem quando o funcionário começa a apresentar faltas repetidas ou baixa produtividade - isso quando não resulta em acidente ou até morte”, comenta João Bosco Leite Gusmão, gerente comercial da InterFast.
Visando este nicho de mercado, a InterFast lançou oficialmente, durante a 14.ª Feira Internacional de Segurança e Proteção (Fisp), o Programa Empresa Livre das Drogas - uma parceria com a empresa mexicana PreMedi Test.
Segundo Gusmão, o programa é composto de quatro etapas. Na primeira fase, é feito um trabalho de conscientização. Um psicólogo vai até a empresa falar sobre o programa, sobre a importância de se evitar o vício, sobre as conseqüências da dependência química para o indivíduo dentro e fora do ambiente de trabalho e sobre os benefícios de um ambiente sadio de trabalho.
A segunda fase é a de testagem. Os funcionários fazem alguns exames simples (antidoping) para detecção de substâncias químicas no organismo. Análise da urina permite detectar o uso de entorpecentes. Exame de saliva identifica abusos na ingestão de álcool. Em alguns casos, pode-se fazer teste para gravidez.
“Estes testes são acompanhados por um médico e membros da minha empresa. Os resultados saem em cinco a dez minutos e tudo é confidencial”, afirma Gusmão.
O programa classifica os trabalhadores em negativos, positivos e falso-positivos. “Os falso-positivos são aqueles que consomem drogas lícitas - como os descongestionantes nasais, ansiolíticos e moderadores de apetite - de maneira inadequada. Esses trabalhadores, nós encaminhados ao médico para que tenham um acompanhamento adequado no uso dos medicamentos”, explica.
Os trabalhadores que recebem diagnóstico positivo para alguma substância química são classificados de acordo com o grau de dependência. O usuário eventual é encaminhado ao psicólogo e fica obrigado a freqüentar grupos de auto-ajuda por pelo menos três meses, segundo Gusmão.
“Esse trabalhador está entrando num mundo que ele não conhece e não sabe como termina. Nestes grupos, ele vai ouvir depoimentos de pessoas que perderam tudo - emprego, família, saúde - e isso promove a conscientização. Nesta fase, o índice de recuperação é de 90%”, afirma.
Quando o funcionário está num estágio progressivo da doença, ele é encaminhado para uma clínica de desintoxicação e, posteriormente, para sessões de psicoterapia. Nesta fase, a chance de recuperação é de 60%. Na fase crônica da doença, esse índice cai para 6%, segundo Gusmão.
“O tratamento feito em clínicas depende, em primeiro lugar, que o funcionário admita ser dependente. Não adianta querer reabilitá-lo se ele não quer. Os tratamentos incentivam e ajudam, mas abandonar o vício vai depender muito dele”, salienta.
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