09 de julho de 2026
JC Criança

Animais de estimação pedem atenção!

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

É tão gostoso visitar aquelas lojas de animais repletas de cães, gatinhos, passarinhos (um mais colorido que o outro), peixinhos, tartaruguinhas, coelhos, enfim, todo filhote é sempre muito bonito e atrativo. É difícil sair e não levar um bichinho para casa e nessas horas de emoção, às vezes, acontece o inevitável: compra-se um filhote.

Legal! Só que tem uma série de responsabilidades que acompanham a aquisição de um bicho de estimação. Além da alimentação, que precisa ser adequada a cada espécie, os bichinhos exigem cuidados com sua higiene, em alguns casos vacinação, atenção e carinho.

Há animais que precisam de cuidados exagerados, outros nem tanto, mas é fato que qualquer bicho pode ficar doente. Aí exige tratamento, não é como um brinquedo que quando quebra você compra outro. É uma “vidinha”, não dá para jogar fora, mesmo sendo “baratinho”, e comprar outra.

Responsabilidade dobrada

Renan Canale Peres Montanher, 13 anos, e o irmão Igor, 8 anos, sabem muito bem o que é ser responsável por um animal de estimação. Eles são os “cuidadores” de nada menos que um cachorro basset chamado Bongo, quatro canários do reino e três calopsitas, uma ave australiana de bico torto.

“Nossa casa começou a virar um zoológico quando ganhamos de um amigo o primeiro casal de canários. Foi há quatro anos”, lembra Renan. Eles sempre cuidaram dos pássaros e, com o tempo, outros aves foram sendo incorporadas ao lar. “Tivemos também um casal de canários manon que deu mais de 25 filhotes. Aí meu pai precisou encontrar outras famílias para eles”, lembram os meninos. “A gente chegou a ter 15 gaiolas para cuidar”, diz Igor.

Pode parecer simples, colocar comida, água e pronto, mas não é só. “Cada ave come um tipo de ração, pois os canários, se você deixar as sementes misturas, ele come só as que gosta e fica faltando vitaminas. Então é preciso da ração, trocar sempre a água do bebedouro e, no verão, eles gostam de tomar banho, aí colocamos uma ‘banheirinha’ na gaiola”, explica Igor.

“Eles também comem outras coisas. A gente intercala jiló, almeirão e meio ovo cozido”, explica Renan. O legal é que a dupla é bastante consciente da responsabilidade e cuida de tudo sozinha.

“Uma psicóloga, amiga dos meus pais, disse, um dia, que o cachorro faz bem para as crianças. Aí queríamos um cãozinho. Minha mãe disse que a hora que entrasse um cachorro em casa, ela sairia, mas depois, ela amou”, contam Renan e Igor.

Eles têm uma rotina bastante agitada, pois além da escola pela manhã, judô, xadrez e natação, vem o trato com os animais. “ A gente chega da escola, almoça e vai tratar dos bichinhos. O casal de calopsita, por exemplo, agora está com um filhote que vamos alimentar na mão para amansar. Tem que limpar as gaiolas, limpar todo o coco do Bongo no gramado, dar banho a cada 15 dias, escovar. Só depois dos bichos é que vamos fazer tarefa”, conta Renan.

“Ah! Temos também o Beto, que é um peixe beta. A cada dois dias é preciso trocar a água do aquário e tem que ser mineral”, lembra Igor. A mãe Cristina Maria Canale Peres Montanher avalia como bastante positiva a relação dos filhos com os animais. “Eles se interessam pelos bichos, sabem tudo sobre eles e ficam distantes da televisão. O interesse deles é por outras coisas”, diz.

O Igor, por exemplo, apesar de ter só 8 anos não vai para a escola antes de dar uma olhadinha na capa do Jornal da Cidade e na seção de esportes e, aos domingos, JC Criança. “Fico atento quando tem vacinas e casos como esses de leishimaniose”, comenta Igor.

Há algumas semanas, a Maria, fêmea de canário, amanheceu no chão da gaiola, toda tristonha, o que deixou todos apreensivos. “Levamos no Terra Selvagem, até tirou radiografia da passarinha. Depois de duas semanas de tratamento, ela está bem”, comemoram.

O veterinário Paulo Roberto Tavares Zanardi, da Matilha Clínica Veterinária, conta que é muito comum as pessoas comprarem cachorros sem saber ao certo os cuidados que necessitam. “Antes de comprar, é sempre bom pesquisar. Veja na Internet, em livros, pergunte a um veterinário. Cada raça tem um comportamento e cuidados diferenciados”, explica.

Zanardi sugere observar o tamanho do cão adulto, o espaço que ele necessita, a pelagem e até o temperamento. “Há raças mais indicadas para guarda, outras para companhia. Na verdade, todo cachorro é um bom companheiro. Ele está sempre esperando o dono e sente as mudanças de tratamento. O gato também”, explica o veterinário.

“A minha gatinha, por exemplo, sabe quando vou viajar. Por isso, agora não faço a mala um dia antes, caso contrário ela quer dormir em cima da mala. Ela sofre com antecedência”, comenta Zanardi.

O cachorro observa muito a rotina da casa e sente as modificações. “Ele espera chegar da escola, se todo dia você brinca, ele fica esperando, se algum dia faz diferente, o animal percebe.”

Segundo o médico veterinário, há pesquisas que ligam a presença de um cachorro com a a diminuição da depressão e do risco de infarto. “O cão ensina, estimula o convívio social. É amigo na alegria e na tristeza”, finaliza Zanardi.