07 de julho de 2026
Auto Mercado

Editorial

Da Redação
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O ultimato que o presidente mundial da Volkswagen, Bernd Pischetsrieder, deu aos funcionários do Brasil na semana passada é um sinal de que o grupo busca, desesperadamente, um equilíbrio financeiro já em 2004.

As atividades no País respondem por 6,5% das vendas mundiais do grupo, que no ano passado totalizaram US$ 81,9 bilhões. Essa participação já foi de 12,8% em 1997, o melhor ano para a indústria automobilística brasileira.

Na produção, a Volks do Brasil participou com 9,8% do total de 5 milhões de unidades em 2002, segundo estudo da consultoria Roland Berger. Já na mão-de-obra, a subsidiária entra com 8% dos 324,8 mil empregados. O grupo alemão concluiu ter no País número de funcionários superior ao que precisa para o tamanho do mercado local, estagnado em 1,8 milhão de veículos.

Não é só a Volks que perde participação nos negócios da matriz e apresenta situação desproporcional em relação aos resultados globais. Em seis anos, a General Motors reduziu pela metade sua contribuição ao faturamento da matriz para 2,2%. No bolo da maior montadora do mundo, a filial brasileira entrou com US$ 4 bilhões no ano passado.

Um dos responsáveis pela pesquisa da Roland Berger, o consultor Marcelo Möller, lembra que a desvalorização cambial é peça importante nessa estatística. Também conta o fato de o Brasil ter grande parte de sua produção voltada aos modelos populares, mais baratos.

Na produção, a GM participa com 6,2% do total mundial e por 4,9% da mão-de-obra, índice mantido desde 1999. “As grandes montadoras mantêm no Brasil centros de engenharia e desenvolvimento, que exigem número maior de funcionários”, ressalta Möller. Empresas que apenas reproduzem modelos desenhados pelas matrizes precisam de menos mão-de-obra.

Única entre as grandes montadoras a melhorar representatividade na matriz, a Ford também ganhou prestígio. Promovido, o presidente da filial brasileira, Antonio Maciel Neto, responde agora pela operação da América do Sul. A empresa participa com 2,2% da produção mundial, após três anos na casa de 1,5%. No faturamento, contribui com 1,8%, mesmo percentual do número de empregados.