08 de julho de 2026
Auto Mercado

Para garantir o 'friozinho'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

“É primavera!”. A estação, lembrada nos versos da canção entoada pela voz rouca de Tim Maia, não marca apenas o aparecimento de belas flores. Com elas, também surgem dias de calor capazes de fazer você sentir-se dentro de uma sauna no interior dos veículos. Desta forma, a utilização do ar-condicionado passa a ser recurso obrigatório, mas já pensou se o equipamento falhar justamente na hora em que mais precisa dele?

O primeiro passo para evitar tal situação desagradável é entender o funcionamento do sistema. Reinaldo Genovez e Edson Silva, instrutores automotivos da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), ressaltam que os princípios do ar-condicionado veicular são os mesmos dos residenciais. “A maneira de resfriar o ambiente não muda”, ressalta Edson.

Em razão disso, os cuidados com sua manutenção obedecem um receituário semelhante. O principal deles é a troca ou limpeza dos filtros, que nos veículos são de três tipos: contra partículas grandes, contra pó e contra pó e pólen. “A substituição deles depende fundamentalmente do ambiente em que o carro é utilizado”, enfatiza Edson.

Segundo o instrutor, as montadoras recomendam a troca a cada 60 mil quilômetros, período que deve ser reduzido drasticamente se o automóvel rodar com freqüência em pisos de terra. E, enquanto o sistema não atingir a quilometragem para substituição, o ideal é limpá-lo periodicamente.

Reinaldo Genovez orienta que a higienização deve ser executada a cada 10 mil quilômetros rodados. Para isso, basta adquirir produtos, comercializados em lojas especializadas, e aplicar diretamente nos filtros e nos dutos - os canais, normalmente localizados nos painéis, responsáveis pela circulação interna do ar nos veículos.

Mas, acrescenta Genovez, antes de manusear o produto o proprietário do automóvel deve observar atentamente as recomendações da embalagem e, somente após isso, iniciar as aplicações. “Elas devem ser feitas com o ar desligado. O sistema só deve ser acionado novamente após um tempo de espera, que varia conforme o elemento utilizado na higienização”, orienta o instrutor do Senai.

Após aguardar o tempo recomendado, completa Genovez, basta ligá-lo por cerca de 15 minutos. Ele também esclarece não ser recomendável o uso de água e sabão na limpeza. “Os produtos específicos são melhores, pois possuem materiais em sua composição adequados à higienização, com propriedades até para combater e eliminar a formação de fungos que se formam no sistema”, explica.

"Crimes"

Genovez adverte também que um hábito muito comum entre motoristas, o de estacionar os automóveis embaixo de árvores em busca de sombras refrescantes, é um verdadeiro “crime” contra o ar-condicionado. Isso porque, conforme o instrutor, as folhas que se desprendem dos galhos podem entupir os filtros - localizados normalmente logo abaixo do pára-brisa - e provocar acúmulo de água.

Esta, continua Genovez, pode penetrar através do filtro e cair diretamente no interior do automóvel. “Parar próximo a árvores não é aconselhável nem mesmo para os veículos sem ar-condicionado, pois as folhinhas podem apodrecer e comprometer até a lataria”, alerta.

Fumar no interior do carro com o ar ligado é outro “pecado” mortal contra o sistema. “A fumaça impregna-se nos filtros e nos dutos, provocando odores característicos de cigarro quando o mesmo é ligado”, adverte Edson. “Para tirar tais cheiros depois é complicado, podendo exigir até a troca total do sistema, o que não é nada barato”, alerta o instrutor.

Outro cuidado praticamente ignorado por muitos donos de automóveis é que o ar-condicionado também deve ser obrigatoriamente ligado durante o inverno, época em que seu uso é praticamente abandonado.

Genovez justifica tal necessidade argumentando que o sistema possui anéis que ressecam-se facilmente se o mesmo permanecer desligado durante muito tempo. “Isto provocará vazamentos de gás e fará o ar-condicionado perder eficiência. Por isso, é recomendável usá-lo, pelo menos, uma vez por semana nas estações mais frias”, aconselha o instrutor.

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Problemas

Além dos cuidados comuns com o ar-condicionado, o proprietário de um veículo deve ficar atento com alguns “avisos” que indicam problemas no sistema.

O instrutor do Senai, Edson Silva, ressalta ser natural os automóveis com o sistema parecerem estar perdendo água por baixo. Na verdade, trata-se de um dreno da caixa do ar responsável para trazer a umidade gerada para fora. “Se este dreno escapar, a água empoçará dentro do veículo”, destaca.

Outro indício de avaria é quando o compressor liga e desliga repentinamente. “Normalmente, é quando o sistema perde eficiência e o motorista reclama que o ar não está gelando direito”, explica Silva.

Reinaldo Genovez lembra que até uma instalação mal executada de equipamentos sonoros pode gerar problemas. “Atendi um cliente que reclamava de má funcionamento. Verificamos possíveis causas e concluímos que, para adaptar o som, foram feitos furos que perfuraram o radiador do sistema”, recorda. “Por isso, procure sempre profissionais especializados nesta área”, orienta.