08 de julho de 2026
Auto Mercado

É possível poupar para comprar carro?

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Em tempos “bicudos” como os atuais, fazer sobrar dinheiro no final do mês tem sido uma tarefa tão difícil como acertar sozinho na loteria. Mais complicado ainda é canalizar tais recursos à poupança para não passar apertado em uma eventual emergência ou, principalmente, planejar a aquisição de um bem. Será que isto é possível e, principalmente, viável para a compra de um automóvel?

Segundo o economista bauruense Carlos Roberto Sette, a resposta para tal questão depende de uma série de variáveis. “Principalmente do poder aquisitivo e do grau de necessidade do veículo”, destaca. Apesar disso, ele considera que poupar para comprar um automóvel com a maior quantia possível à vista é sempre a melhor opção. “Os financiamentos encarecem demais o preço final por causa dos juros”, enfatiza.

Porém, Sette pondera que, graças aos problemas econômicos nacionais, a decisão de poupar com o objetivo de adquirir um veículo zero quilômetro será uma missão quase impossível para aqueles que não possuem um automóvel para dar de entrada no negócio. “Se depender exclusivamente de uma determinada quantia economizada mês a mês, a pessoa demorará anos para conseguir”, frisa.

Para o economista, as melhores - e talvez únicas -alternativas para os que se encontram nesta situação são os consórcios ou financiamentos. A escolha por um dos dois dependerá, conforme já observado por Sette, da capacidade de pagamento e da “precisão” do consumidor em adquirir o auto. Além disso, ele orienta ser necessário avaliar os prós e contras de cada opção.

Segundo Sette, os consórcios podem ser encarados como uma espécie de poupança com retorno a longo prazo. “Eles são indicados para quem não tem pressa em pegar o carro. Mesmo assim, a pessoa pode estar com ele nas mãos antes do que imagina, pois poderá tirá-lo através dos sorteios ou dos lances”, salienta. “A desvantagem é a possibilidade dos reajustes das parcelas e das taxas quando os veículos sobem de preço”, acrescenta.

Já as compras a prazo devem ser executadas por aqueles cujo automóvel é um bem de primeira necessidade. “Se ele for responsável pelo ganha-pão da família, não há outra escapatória. É encarar os juros, que fazem os veículos quase dobrarem de valor dependendo do número de parcelas”, afirma Sette.

Ele esclarece, ainda, que o ato de poupar torna-se viável na medida em que é encarado como um complemento à aquisição de um automóvel para substituir outro. “Para quem já tem um veículo, é muito mais vantajoso aguardar um tempo, e reservar recursos durante este período, para comprá-lo à vista futuramente com o saldo economizado”, destaca.

Uma adepta desta iniciativa é a professora bauruense Isabel Gimenez, que mensalmente deposita uma determinada quantia na poupança para precaver-se de uma possível emergência familiar e dos juros altos dos financiamentos na hora de adquirir um carro, negócio que ela acabou de fechar recentemente ao trocar seu Gol usado por um zero quilômetro. “Vendi o anterior e usei o saldo economizado para pagá-lo à vista”, conta.

Ela explica ter o hábito de poupar desde que começou a trabalhar e que precisa substituir constantemente seus veículos em virtude de necessidades profissionais. “Dou aula em várias escolas e rodo pra cima e pra baixo nos três períodos do dia. Por isso, preciso de carros novos, que não dêem muito problema”, justifica a docente.

Isabel revela, em outras oportunidades, já ter adquirido carros a prazo, mas em uma época que não tinha filhos na faculdade. “Agora, com eles estudando, não posso assumir um compromisso sério como o parcelamento de um automóvel”, diz. “E se fizesse, seria uma quantia extremamente pequena para não comprometer o orçamento”, conclui a professora.

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Paciência

Quem também é prevenido por natureza e prefere poupar para efetuar compras à vista, principalmente de automóveis, é o professor aposentado Leopoldo Zanardi. Dono de um Fiat Tipo 94, ele pretende vendê-lo e trocá-lo por um modelo zero quilômetro.

Para isso, seu objetivo é usar parte da poupança acumulada mensalmente graças ao esforço e um pouco de “aperto” no orçamento doméstico. Ele já realizou pesquisas no mercado local para avaliar seu usado e atualmente aguarda um melhor momento para fechar negócio. Enquanto isso, vai economizando. “O ideal é não ter pressa e esperar para comprar à vista, o que os economistas dizem ser muito mais vantajoso”, destaca.

Leopoldo justifica seu comportamento argumentando que os financiamentos são mais onerosos a longo prazo. “Vamos pensar em um parcelamento hipotético. Se a pessoa der 45% de entrada e quitar o restante em 48 vezes, ela pagará, só de juros, o equivalente à entrada”, calcula o professor. “Por isso, é melhor ter paciência”, finaliza.