Transformar Bauru em um pólo de produção cinematográfica. É esse o principal objetivo de Alan Fonseca Pela, estudante de desenho industrial da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que em parceria com o diretor de cinema Gilberto Souza realiza a filmagem de um curta-metragem. As primeiras cenas foram gravadas ontem, em uma lanchonete localizada na região Sul da cidade.
Segundo Alan, a idéia é incentivar a produção de trabalhos no Interior, já que a prática ainda é considerada muito difícil devido à falta de patrocínio cultural. “Buscamos dar um ‘start’, justamente para que, futuramente, o cinema ganhe mais verba para sua produçãoâ€, diz.
Previsto para custar em torno de R$ 15 mil, a produção do curta é bancada pela própria equipe e por alguns amigos de Alan. O coleguismo, aliás, é um ponto forte da produção, que traz no elenco alunos de jornalismo e rádio e TV da Unesp. Ente eles, Alexandre Grechi e Hugo Lima, que interpretam os protagonistas da trama.
Nos papéis de patrão e empregado, respectivamente, os dois atores são responsáveis por representar a clássica relação patrão/empregado, que, no filme, recebe certas pitadas de humor. Alan explica que o trabalho ainda não tem título definido, mas é inspirado em um cenário futurista e moderno.
“Por isso escolhemos esse lugar retrô, que tem um design legalâ€, conta Alan, referindo-se à lanchonete escolhida para o início das filmagens. “O intuito é provocar o contraste das cenasâ€, reforça o diretor, adiantando outros locais que serviram de pano de fundo para o curta. “Vamos gravar no aeroporto internacional de Bauru (que ainda se encontra em fase de construção) e também no Vitória Régiaâ€, comenta.
Com duração de cerca de cinco minutos, o curta se caracteriza pelas próprias situações engraçadas vividas pelos personagens. O roteiro - que não inclui falas - aborda cenas de pura ação, recheadas de quadros de luta, perseguição com armas, corrida de carros e, é claro, vários efeitos especiais produzidos por programas de computador.
Qualidade
Apesar de não contar com muitos recursos, a qualidade do trabalho não deixa a desejar. A filmagem é feita com equipamentos profissionais, que se destacam pela modernidade. “Temos uma câmera digital, além de um dolly com trilhos (espécie de carrinho de transporte usado para as cenas a curtas distâncias) spots e fresnel (instrumentos para iluminação interna e externa) e rebatedores de luz, entre outrosâ€, revela Gilberto, que é dono da maioria dos aparelhos utilizados na gravação.
Segundo ele, embora seja produzido em gênero digital, a base das filmagens é realizada a partir de técnicas convencionais, em película 16 milímetros. “Isso garante máxima qualidadeâ€, garante Gilberto, que também ficou responsável por filmar o curta.
É justamente essa mistura entre o simples e sofisticado que caracterizam o trabalho da equipe, que embora tenha artistas iniciantes no elenco, conta com alta tecnologia no processo de filmagem. O resultado é esperado ansiosamente por Alan, que pretende levar o curta para participar de festivais alternativos de cinema.
“Mas será só no ano que vem, pois além das filmagens, temos que fazer a edição e finalização do projetoâ€, revela o diretor. “Se tiver oportunidade, podemos exibir o curta, principalmente para pessoas que gostam de cinemaâ€, enfatiza.