08 de julho de 2026
Cultura

Conflito humano é tema de monólogo

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

“Às vezes a gente só quer dar o fora, fugir como um vômito. Eu sei que é incômodo, mas eu não suportava mais. Foi assim comigo, e então me perguntaram como uma pessoa com a possibilidade de um futuro tão brilhante poderia abandonar tudo e dar o fora?”

O trecho acima simboliza o início do monólogo “Babilônia em Cânticos”, que retrata a história de um homem - vivido pelo ator Ezequiel Rosa - que resolve deixar a família e a profissão para mergulhar em um mundo de fantasia e delírios que invade sua cabeça.

Com texto e direção de Alberto Granato, a peça será apresentada amanhã, às 21h, no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”, em Bauru.

“Babilônia em Cânticos” retrata a jornada de João, um ser humano que divaga, reflete sobre a própria existência e busca de respostas convincentes para seus problemas existenciais. “A vida dele é um caos, mas ele passa a criticar todas as pessoas que estão ao seu redor”, explica Granato.

Essa busca leva o protagonista a discutir consigo mesmo, assumindo diferentes personalidades. Assim, em cada cena, João interpreta outros personagens, misturando momentos alegres e tristes de sua vida, encarados sob o seu próprio ponto de vista. Em uma das cenas, ele se imagina tentando matar sua vizinha, por quem cultiva uma grande antipatia. â€œÉ uma alusão ao filme “Psicose, do Hitchock”, conta o diretor.

Já em outra parte, a atração é para um quadro de Romeu e Julieta, de Shakspeare. “Ele está tentando se encontrar, questionando sobre sua própria vida”, revela Granato. A passagem por diversos enfoques - do drama ao terror, passando ainda pela comédia - simboliza a própria confusão vivida pelo personagem.

Isso se caracteriza pelo título do espetáculo. Em grego, Babilônia quer dizer “porta de Deus”. Segundo o diretor, na peça o protagonista tenta atravessar essa passagem, com o objetivo receber uma revelação, a exemplo da trajetória do apóstolo João. Além disso, de acordo com Granato, a palavra pode também significar a destruição da cidade através da ação humana.

Em uma das cenas, inclusive, o diretor faz uma alusão à questão do abuso de poder da sociedade. “O diabo, certa vez, se tornou o dono do mundo por um dia, e foi o dia mais tranqüilo da face da terra”, diz o trecho considerado pelo diretor como um dos mais difíceis da história.

Tragicomédia

Por ser extremamente complexo, o tema é abordado de forma leve e com certas pitadas de humor. “Apesar de triste e confuso, João tem uma visão poética das coisas”, aponta Granato. Essa característica se torna evidente em uma cena que traz uma lembrança ao pai do protagonista: um músico que teve uma carreira marcada pelo anonimato. Mais uma vez, o personagem assume o papel de outras pessoas.

“Ele aparece como um astro de um musical na Broadway”, comenta Granato, adiantando que a trilha sonora traz uma faixa de jazz.

Aliás, a música é um ponto forte da peça, que apresenta um repertório eclético, visando marcar a multiplicidade de interpretações do protagonista sobre sua vida. Os quadros são ilustrados por diversos estilos, entre eles, rock, clássico, MPB e romântico. “Tem canções de Deep Purple, Elis Regina, Roberto Carlos e até a 5.ª sonata de Beethoven”, diz o diretor.

Serviço

Monólogo “Babilônia em Cânticos”, com Ezequiel Rosa, texto e direção de Alberto Granato terça, às 21h, no Teatro Municipal de Bauru. Os ingressos custam R$ 5,00 e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro. Avenida Nações Unidas, 8-9, Centro. Informações: (14) 3235-1072.