08 de julho de 2026
Bairros

DAE diminui captação do Batalha

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A diminuição do nível do rio Batalha, que está meio metro abaixo do normal, já provoca efeitos diretos no abastecimento de água de Bauru. No final de semana, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) desligou uma das três bombas que são responsáveis pela captação de 42% da água consumida no município. Ela não tem prazo para voltar a operar.

A assessora de imprensa do DAE, Sandra Faria, afirma que a bomba tem capacidade para captar entre 150 e 200 litros de água por segundo. De acordo com ela, a situação do abastecimento em Bauru pode piorar ainda mais se não chover nos próximos dias. “Nesse caso, teremos que tomar outra medida, como o rodízio”, revela.

No final da tarde de ontem, o cenário encontrado na estação de captação de água era desolador. Na parte de baixo da barragem de contenção, o rio Batalha praticamente desapareceu.

O meteorologista Luiz Nachtigall, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas de Bauru (IPMet), informa que há previsão de pancadas de chuva isoladas na região durante os próximos dias. “Essa condição deve se intensificar a partir de amanhã (hoje). Nesses meses de primavera, já começa a haver uma incidência maior dessas pancadas de chuva e a tendência é de que isso vá se acentuando até o final do ano”, diz.

A assessora de imprensa do DAE afirma, porém, que as primeiras pancadas de chuva não irão garantir totalmente a retomada normal do abastecimento. “É preciso ver quanto e onde vai chover”, diz. Ela também acredita que o tempo nublado, com temperaturas menos elevadas, contribui para que o problema não se agrave, inibindo o consumo.

Enquanto aguarda uma ajuda vinda do céu, o DAE tenta encontrar alternativas para suprir o abastecimento de água de alguns locais com o uso de caminhões-pipa. A assessoria de imprensa do Hospital Estadual, por exemplo, diz que já recebeu cerca de 25 deles desde sábado. Para evitar que os serviços essenciais sejam paralisados, a instituição decidiu suspender a limpeza da área externa.

Reclamações

Com a falta de chuva, os bairros que dependem do fornecimento do rio Batalha, como Jardim Solange, Jardim Ferraz, Vila Falcão, Altos da Cidade e Jardim América já estão sofrendo os efeitos da interrupção no fornecimento de água. O reflexo pode ser medido pelo número de reclamações recebidas pelo DAE, que chegou a 800 apenas durante o final de semana.

Um desses casos é o do psicólogo João Carlos Zanatta, que mora no Jardim América. “Tivemos que usar a água do meu consultório para tomar banho. De sábado para domingo, encheu a caixa d’água e normalizou, mas nesta madrugada (ontem) já faltou novamente e nós proibimos a empregada de fazer qualquer coisa”, revela.

Segundo ele, essa é uma situação que a família já se acostumou a enfrentar. “Quando chega outubro, falta muita água. No ano passado, começou assim e se arrastou até dezembro. Se construíssem um ou dois poços artesianos na região, resolveria tranqüilamente esse problema”, opina.

A falta de água atingiu até os visitantes. Cristiane Baruque veio de Lençóis Paulista para passar o final de semana com os pais e a irmã, que moram no Jardim Solange. Além dos parentes, encontrou também as torneiras secas. “O pessoal da rua teve que se virar para tomar banho na casa de conhecidos”, conta.

As explicações apresentadas pelo DAE não convenceram Cristiane. “Eles disseram que a situação só vai se normalizar quando começar a chover. Então, também só vou pagar a conta quando isso acontecer”, ironiza.

Para a assessora do DAE, a população deveria se conscientizar sobre a importância de se ter caixas d’água adequadas em casa. “Segundo a Organização Mundial de Saúde, cada pessoa gasta, em média, 200 litros de água por dia. Ela tem que ter uma reserva suficiente para aguentar 24 horas sem fornecimento”, declara Sandra Faria.