Para quem não se lembra, “Justo Veríssimo” foi um dos muitos personagens criados e interpretados magistralmente por Chico Anísio na televisão. O personagem enfocava um político que não dava a mínima para o povo, somente se preocupando com o próprio bolso. O bordão do personagem era o seguinte: “Quero que pobre se exploda”. De volta à nossa dura realidade, estamos assistindo em Brasília um vaivém de governadores, prefeitos, vereadores e demais autoridades aos gabinetes de ministros, deputados e senadores para fazerem lobby em prol da reforma tributária. Claro que, tal qual o personagem dos humorísticos, os nossos representantes estão demonstrando muita preocupação com a arrecadação financeira para suas gestões. O povo, bem o pobre que se exploda. Nenhum item dessa reforma contempla a redução de qualquer imposto ou até mesmo a eliminação de tributos que oneram o trabalho ao invés de fazê-lo com o capital especulativo.
Em nenhum momento vimos algum político defender a diminuição das alíquotas do imposto de renda, que atingem apenas e tão somente os assalariados. Ao contrário, teremos que conviver com a manutenção arbitrária e nociva das tabelas de dedução do IR, sem correção há muitos anos. Ninguém está preocupado, senão com o próprio umbigo e com a possibilidade de mais dinheiro nos cofres, para poder gastar no último ano de gestão com obras de impacto para tentar se reeleger: “o pobre, bem o pobre que se exploda”. Estamos, mais uma vez, nas mãos da elite política nacional, capaz de comemorar a aprovação em primeira votação na Câmara dos Deputados, como se o projeto fosse realmente um avanço para a sociedade brasileira. A reforma é tão ruim que até as entidades representativas dos empresários e dos patrões acharam-na um grande retrocesso. Se voltarmos ao grande Chico e seus personagens, teríamos a impressão de que a reforma foi idealizada pelo “Justo Veríssimo” e aprovada pelos “Coalhadas” para ferrar os brasileiros, que mais uma vez são traídos por essa classe tão mesquinha e sem expressão que detém em suas mãos nossos destinos e do nosso País. Enquanto isso, em São Paulo, o BNDES faz um acordo com a empresa americana AES, em que o governo federal perdoa uma dívida de milhões de dólares em troca de promessas vazias e de uma participação de 50% na nova empresa criada a partir dessa negociação.
Quantas vezes vimos trabalhadores ficarem reféns de empresas concordatárias, com a complacência da justiça do trabalho, tendo que aguardar 10 ou 12 anos para tentarem receber seus legítimos direitos trabalhistas ?. Mas tal qual a reforma tributária? Os poderosos sempre têm prioridade sobre o povo pobre do nosso País. E assim parece que vai ser nos próximos anos.
Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6