Itapuí - A fazenda Olho d’Água, em Itapuí (44 quilômetros a Nordeste de Bauru), voltou a ser ocupada por sem-terra. O grupo é o mesmo que foi retirado do local, por ordem judicial, no dia 18 de setembro. Depois de passarem 19 dias em casas de parentes e amigos ou em acampamentos improvisados em outras áreas rurais, os sem-terra começaram a voltar à fazenda e dizem que só vão sair de lá após uma nova determinação da Justiça.
A ocupação da área foi retomada anteontem, por volta do meio-dia, por um grupo de 20 sem-terra, aproximadamente. Ontem, esse número havia crescido quase o dobro e a tendência é que aumente ainda mais nos próximos dias.
De acordo com a previsão de Geraldo Frois, um dos líderes do movimento, até o fim de semana que vem, todas as 45 famílias devem estar de volta ao local. Ele informou ainda que, além do grupo que deixou o local no mês passado, novas famílias devem aderir ao movimento, aumentando assim o número de acampados.
Frois disse que o grupo decidiu voltar à fazenda Olho d’Água depois que o advogado Arlindo Basílio obteve na Justiça a suspensão da liminar que determinava a desocupação da área.
De acordo com o acampado, a ordem de reintegração de posse foi derrubada um dia depois do grupo ter deixado o local. O advogado Arlindo Basílio não foi encontrado pela reportagem, ontem à tarde, para falar sobre o assunto.
Ao retornar à fazenda, os sem-terra disseram ter encontrado funcionários e máquinas do Grupo Cosan, que controla várias usinas de açúcar e álcool da região, trabalhando na área.
Segundo Frois, os funcionários resistiram em deixar a fazenda, mas teriam desistido depois de terem supostamente lido a decisão da Justiça suspendendo a liminar de reintegração de posse.
Apesar da situação estar aparentemente sob controle, Frois não descartou a possibilidade de confronto caso os funcionários da empresa voltem a trabalhar com as máquinas no local.
“Um dos guardas da usina chegou a nos ameaçar. Eles disseram que iam passar com o trator em cima das nossas barracas de lona. E nós falamos pra ele que é só experimentar. Não nos responsabilizamos com o que pode acontecer”, relatou Frois.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Grupo Cosan, mas até ontem à tarde a empresa ainda não tinha um posicionamento definido sobre a reocupação da fazenda pelos sem-terra.
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Terra abandonada
As 45 famílias de sem-terra acampadas na fazenda Olho d’Água, em Itapuí, foram retiradas no dia 18 de setembro. A liminar de reintegração de posse foi expedida pelo juiz da 1.ª Vara Civil de Jaú, João Roberto Casali da Silva. A decisão foi em decorrência de uma ação movida pelo proprietário das terras, Joaquim Álvaro Pereira Leite Neto, morador de São Paulo.
O grupo que deixou a área era formado por cerca de 170 pessoas, provenientes de regiões como Ribeirão Preto, São Carlos, Pederneiras e também de Itapuí.
De acordo com Geraldo Frois, quando o grupo chegou à fazenda as terras estavam abandonadas. Com o tempo, os acampados foram desenvolvendo pequenas plantações e construindo suas moradias. Além das plantações, o grupo também mantinha no local criações de galinha, porcos, além de gado e cavalos.
As casas dos sem-terra foram lacradas por oficiais de Justiça. As famílias que não tinham local definido para mudança estavam deixando os pertences dentro das residências.
Segundo informou na ocasião o major Américo Martins, da Polícia Militar, o dono da fazenda ficaria como depositário fiel (responsável) por esses bens.
De acordo com informação do advogado José de Oliveira Martins, que representa o proprietário da fazenda, as terras foram arrendadas há pouco tempo para o Grupo Cosan e seriam usadas para o plantio de cana-de-açúcar.
A fazenda possui cerca de 200 alqueires e fica no quilômetro 4 da estrada vicinal que liga Itapuí a Bariri. (Da Redação)