08 de julho de 2026
Polícia

Explosivo é encontrado nos Correios

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Um artefato explosivo de grande capacidade de detonação foi descoberto ontem pela manhã na sede da Diretoria Regional da Empresa de Correios e Telégrafos de Bauru. O material, se fosse acionado, poderia provocar morte e destruição.

Acondicionado numa caixa de sapatos, os explosivos foram identificados através de equipamentos de segurança postal (raio-X e espectômetro) dos Correios, que acusaram moléculas de nitrogênio na correspondência. A Polícia Federal foi acionada e solicitou o parecer inicial do especialista em explosivos da Polícia Militar (PM), tenente Ricardo Folkis.

Ele confirmou a alta capacidade de detonação do explosivo, embora a Polícia Federal ainda aguarde a conclusão da perícia para se certificar da capacidade explosiva do material.

“O artefato poderia destruir completamente um cômodo de alvenaria de 20 metros quadrados. Também poderia provocar vítimas fatais. Quem elaborou os explosivos não era leigo”, diz Folkis.

De acordo com ele, o material é composto por cinco “bananas” à base de nitroglicerina, um cordel de um metro - com a mesma composição -, além de uma espoleta (iniciador) elétrica projetada para desencadear a explosão.

“Um isqueiro foi postado junto, mas ele não seria capaz de detonar o artefato”, conta o especialista em bombas. Segundo ele, o iniciador do material só seria ativado através de corrente elétrica - o que não elimina o perigo enfrentado pelo funcionários dos Correios.

O chefe da Seção de Segurança Postal, Milton Bianconi, não soube estimar quantos funcionários, no total, tiveram acesso à correspondência, mas confirma o ineditismo do caso.

“É a primeira vez que explosivos são encontrado em Bauru durante o procedimento de refugo. Eles foram postados em Itu para um destinatário desconhecido em Ibiúna (municípios do Interior de São Paulo)”, conta.

Segundo ele, como o remetente tinha um nome de entrega interna e ninguém foi retirá-lo, o Sedex foi encaminhado para Bauru, que é sede da diretoria regional dos Correios. O material chegou no início de outubro e passou ontem pela inspeção que indicou a presença de explosivo.

Ainda de acordo com Bianconi, o procedimento de averiguação de correspondências tem demonstrado eficiência e será mantido. Envelopes destinados a presídios e oriundos de regiões suspeitas também são submetidos à análise dos detectores.

“Mesmo que os equipamentos não indicassem a presença de explosivos, a Polícia Federal seria acionada”, conclui.

A PF instaurou um inquérito com o objetivo de identificar os responsáveis pela elaboração e postagem dos explosivos. O material seria remetido ao Exército, que tem a incumbência de guardar, destruir e redistribuir qualquer material bélico.

Porém, até o fechamento dessa edição, o chefe da 6ª Circunscrição de Serviço Militar (CSM) e da Guarnição Militar Federal de Bauru, tenente-coronel Sérgio Brito, não havia recebido o material.