A diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) vai encabeçar, junto com o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Carga de Bauru e Região (SindBru), uma campanha para angariar recursos para construir um hangar para a Polícia Militar (PM) trazer para Bauru um helicóptero. Além de ser usado no policiamento, a aeronave poderá fazer o transporte de órgãos para transplantes, socorrer vítimas de acidentes e ser usado para monitorar desmatamentos.
Segundo o diretor regional da Ciesp, José Luiz Miranda Simonelli, todos os setores da sociedade estão sendo chamados a participar, uma vez que os benefícios serão para Bauru e região. “O helicóptero representa agilidade. Com ele em Bauru, podemos contar com socorro na área de saúde e da segurança pública”, afirma.
Algumas barreiras já foram vencidas na conquista do patrulhamento aéreo, avalia o comandante do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4), coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges. “O município já fez a concessão do terreno. Temos um termo de cooperação com o Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo) para usarmos a área de abastecimento, torre controle etc”, ressalta.
A concessão do terreno, nas proximidades do Aeroporto de Bauru, já foi aprovada pela Câmara Municipal e agora aguarda ser sancionada. “O comando geral da PM garantiu que o helicóptero passa por uma revisão e pintura e que, assim que o hangar estiver pronto, o aparelho estará disponível”, frisa Eclair.
O aparelho que virá para Bauru custa cerca de R$ 1,5 milhão. “A manutenção, inicialmente, ficará com o Grupamento Aéreo da Capital. Em Bauru temos uma miniunidade orçamentária. Assim que o aparelho vier, teremos uma verba para a sua manutenção”, completa.
Simonelli ressalta que o aparelho está em São Paulo só aguardando a construção do hangar. “Em reunião com o comando geral da PM, tivemos a certeza de que basta construir o hangar. O aparelho passa por uma pintura e estará pronto para uso”, frisa. “Nós entendemos que temos uma função específica, que é defender o setor, mas temos um papel social junto à comunidade”, diz ele explicando o envolvimento do Ciesp na campanha.
Ele prevê que em 120 dias é possível construir o hangar. “Vamos iniciar a campanha imediatamente em Bauru e região. Com os recursos em mãos, cerca de R$ 250 mil, construiremos o hangar em 120 dias”, planeja.
O helicóptero que virá para Bauru poderá ser pilotado por um bauruense, segundo o coronel Eclair. “Precisamos de cerca de 20 pessoas para trabalhar com o helicóptero, entre pilotos e pessoal de apoio. Na Capital há um piloto bauruense que está interessado em vir para cá”, adianta.
A aeronave deve ser utilizada em uma área de até 40 cidades. “Numa situação normal, o helicóptero abrangerá cerca de 40 cidades. Nas emergências ele poderá cobrir uma área de até 100 quilômetros”, diz.
Segundo Eclair, no futuro, a cidade poderá contar também com uma pequena aeronave. “São aparelhos apreendidos pela Justiça. Em São Paulo tem 12 helicópteros e seis aeronaves”, frisa. “Além de ágil, ele proporciona uma visão mais ampla da situação. Ele faz em uma hora o serviço de um mês de uma viatura térrea”, diz.
Uso múltiplo
O uso do helicóptero não será exclusivo da Polícia Militar. Poderá ser usado pelas polícias Federal, Civil Rodoviária e Ambiental, de acordo com o comandante do CPI-4. Diariamente, a viatura aérea fará patrulhamento, especialmente nos locais onde há concentração de furtos e roubos. “Vamos fazer agendamento para uso das demais polícias”, conta Eclair.
Na parte ambiental, segundo o coronel, o fogo criminoso e o desmatamento sofrerão fiscalizações mais rigorosas. “Com a visão aérea é possível uma fiscalização mais rígida”, frisa.
Nas rodovias, o helicóptero poderá ser usado em casos de assaltos e acidentes. “Podemos seguir assaltantes e socorrer acidentados. Futuramente, um convênio com o município possibilitará, como na Capital, que uma equipe médica fique disponível para isso”, diz.
Ele lembra que para escoltar o transporte de presos de alta periculosidade não há veículo mais eficiente que o helicóptero. “O transporte aéreo resolveu os problemas de segurança com o transporte do Fernandinho Beira-Mar”, exemplifica.