11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Condomínio 'diluído' traz segurança

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Para evitar o susto nos últimos meses do ano com o aumento do valor do condomínio, administradoras e condôminos estão preferindo diluir encargos - como 13º salário dos funcionários e previsão de reajuste - durante as 12 parcelas do ano. De acordo com a Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios (Aabic), a taxa condominial deve subir de 12% a 15% até dezembro.

Segundo a proprietária de uma administradora de Bauru, Maria Regina Binatto de Barros, cerca de 90% dos condomínios gerenciados por sua empresa fazem reserva financeira durante o ano. “Mesmo quando a administração é própria, a gente orienta a fazer um caixa, um provisionamento”, afirma.

Maria Regina calcula que, entre encargos trabalhistas, aumento de salários e reajustes de energia elétrica e água, a taxa de conomínio chega a dobrar em alguns edifícios. Além do custo pesado para os moradores, há o risco do imóvel permanecer vazio no período devido à alta taxa. “Tem também o problema do inquilino que aluga o apartamento no final do ano e não acha justo arcar com este ônus”, aponta.

De acordo com o gerente de outra administradora, Erlon Vinícius Torquato Junqueira, o reajuste nos salários dos funcionários é o que mais pesa para os conomínios no final do ano. O dissídio da categoria - em outubro - fechou em 6,9% no ano passado, dividido em quatro parcelas.

Segundo ele, praticamente todos os condomínios administrados pela empresa em que ele trabalha fazem caixa até para o ano seguinte. “Nós já fazemos uma provisão de valores para o ano seguinte”, diz. E acrescenta: “A administração própria corre mais riscos.”

No caso do Residencial Camélias, com 720 unidades, o provisionamento de despesas esbarra em outro problema: a inadimplência. De acordo com o síndico do conjunto, Sílvio Rybezynski, em agosto a porcentagem de condôminos em atraso encostou nos 10%, o que significa uma perda de R$ 10 mil. “Atualmente não está sendo possível fazer provisão”, diz.

No entanto, o valor do condomínio, cuja administração é própria, continua fixo. Para evitar uma sobrecarga no final do ano, Rybezynski afirma que a solução é dar pequenos adiamentos aos 53 funcionários - todos contratados pelo Camélias - ao longo dos 12 meses. “O que pesa muito aqui é a folha de pagamento”, diz.

Ainda segundo o síndico, a administração está utilizando uma estratégia pouco convencional, embora amparada legalmente, segundo ele: os moradores estão recebendo uma planilha com as unidades que estão inadimplentes. “Nós estamos fazendo um ‘ataque’ à inadimplência”. De acordo com ele, o trabalho vem dando certo.

Terceirização

Outra medida de “segurança econômica” para os condomínios, adotada amplamente em Bauru, é contratar empresas terceirizadas para os serviços de portaria, limpeza e contabilidade. De acordo com Maria Regina Barros, a prática sai mais em conta devido à dispensa do pagamento de encargos trabalhistas, como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), por parte dos moradores.

“Sem dúvida nenhuma, (a terceirização) é muito mais vantajosa”, diz Maria Regina. Segundo ela, a empresa contratada também assume toda responsabilidade perante a Justiça do Trabalho. “Mas antes de contratar uma empresa terceirizada, é preciso fazer pesquisa, tomar referências”, diz.

De acordo com Erlon Junqueira, a empresa onde trabalha é pioneira nesse tipo de terceirização em Bauru. Para ele, a vantagem também reside na “isenção” dos custos trabalhistas. “Todos os encargos ficam por conta da empresa terceirizada. Isso é uma segurança para o condomínio”, declara.