Além da bicicleta e da caminhada, uma parcela da população descontente com o sistema de transporte coletivo recorre aos veículos de passeio para deslocar-se dentro da cidade, evitando o transporte público.
Muitas vezes, são pessoas que já estavam acostumadas a andar de ônibus mas estão descontentes com eventuais falhas do sistema. O problema agrava a lentidão no trânsito e os congestionamentos observados em Bauru, principalmente em horários de pico.
O aumento da frota de veículos em Bauru, que cresce 10% ao ano, indica que os carros estão cada vez mais tomando conta das ruas da cidade. Em 2002, eram 135 mil. A projeção para este ano é de 148,5 mil.
Há três meses, a auxiliar de enfermagem Graziela Cristina Trindade desistiu de pegar ônibus para ir ao trabalho e resolveu tirar o carro da garagem. Ela mora no Jardim Godoy, trabalha no Hospital Estadual e agora gasta mais com combustível que antes com passes.
“Como eu trabalho à noite, eu saía do hospital e pegava um ônibus, descia na rodoviária e ia para casa a pé. Ou eu pegava um ônibus que ia até o Centro, ficava quase uma hora para pegar outro que passa perto de casa”, explica.
“Eu vou de carro porque não tem condições de ir de ônibus. Eu gastaria 50% do que eu gasto se eu tivesse um horário de ônibus compatível e um ônibus que viesse direto para cá”, acrescenta Graziela.
Na opinião da auxiliar de enfermagem, o transporte coletivo piorou em Bauru depois da remodelagem. “Eu acho péssimo. O horário e o atendimento aos idosos é precário. Quando eles fizeram essa remodelagem, eles falaram que era para melhorar. Mas é tudo mentira porque piorou”, critica.
Graziela conta que chega a ficar 40 minutos esperando ônibus no ponto. “Para melhorar, deveriam rever horários e voltar as linhas que existiam antes”, sugere.
Para a moradora do Jardim Godoy, as falhas no sistema incentivam mais pessoas a pegar o carro particular para sair de casa. “Quando eu vou trabalhar, às vezes tem um grande congestionamento porque todo mundo está de carro. A Nações Unidas às 18h30 é um caos. Eu acho que só vem piorando”, avalia.
Graziela tem esperanças na implantação do passe-integração e afirma que, se houver melhorias, ela volta a usar os coletivos.
O motorista José Francisco Ferreira Filho também reclama da demora no deslocamento em ônibus. Ele costuma utilizar coletivos, mas diz que prefere o carro particular, principalmente aos domingos e feriados.
“Se você tem uma condução sua para sair, é melhor que depender de ônibus”, diz. “Quando eu tenho mais pressa, eu prefiro o carro”, explica.
Ele reclama que aos domingos os ônibus circulam pelo Jardim Nicéia somente até as 19h30. “Se você sair para a casa de algum parente ou amigo, você tem que pegar antes das 19h10 senão depois você fica a pé”, destaca.
Outro argumento do motorista é o custo reduzido nos passeios em família. Ele afirma que compensa mais andar de carro que pagar passe para ele, a esposa e os filhos.
“Com o preço que está o álcool, você passeia um bom trecho dentro de Bauru. Do Jardim Nicéia ao Leão 13, você vai e volta com R$ 5,00, com a família inteira no carro. De ônibus, não se faz isso”, ressalta.
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Perto do trabalho
Para evitar gastos com transporte e perda de tempo durante o deslocamento, muita gente tem optado por morar perto do trabalho. É o que afirma José Martinho Teixeira da Silva, presidente da Associação das Administradoras e Corretoras de Imóveis de Bauru (Aciba).
“Sempre tem. É comodidade e conforto. As pessoas procuram morar perto da escola, perto do trabalho. Normalmente, o fator que as pessoas mais levam em consideração é a proximidade da família. Eu creio que o trabalho seja o segundo ponto”, observa.
Para quem trabalha no Distrito Industrial, por exemplo, o Núcleo Otávio Rasi ou o Jardim Redentor podem ser alternativas. “As pessoas não querem andar muito”, diz Martinho.
É o caso de Marco Antônio Martinelli, morador da Vila Alto Paraíso. Ele trabalha na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e recentemente optou por uma casa distante poucas quadras da empresa.
“Não tenho por que morar distante do serviço se perto eu tenho um bairro bom e com todas as comodidades - feira, mercado, farmácia”, argumenta.
Não depender de condução para trabalhar é cômodo e reduz gastos com transportes. “É um custo que eu não tenho. Eu vou e volto a pé”, acrescenta.
Tatiane Ludwig, gerente de uma agência bancária localizada no Centro da cidade, fez a mesma opção buscando otimizar o tempo e melhorar a qualidade de vida.
Ela morava nos Altos da Cidade e demorava 20 minutos para percorrer cerca de quatro quilômetros. Agora, mora no Centro e chega ao trabalho em quatro minutos. Quando pegava ônibus para trabalhar o trajeto consumia 40 minutos do dia de Tatiane.