07 de julho de 2026
Saúde

Objetivo é minimizar sofrimento infantil

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

O principal objetivo destes voluntários que levam diversão aos hospitais é minimizar o sofrimento e a angústia das crianças internadas. “Elas já chegam com uma carga negativa: sentem dor e foram retiradas da escola e da família. O momento de brincar é uma forma de garantir que pelo menos as atividades lúdicas sejam resguardadas”, comenta o estudante Leonardo Lopes da Silva, 26 anos.

Leonardo integra um grupo de sete formandos do curso de psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) que desenvolve um projeto de apoio dentro do Hospital Estadual de Bauru (HE). Segundo os estudantes, o projeto deste grupo baseia-se em três eixos: terapêutico, educativo e lúdico.

“No eixo terapêutico, nós trabalhamos a informação. A gente fala da internação, porque a criança está ali, porque é preciso tomar os remédios, tomar as injeções, porque tem que ficar longe de casa”, explica a universitária Ana Roberta Prado Montanher, 24 anos.

Para isso, o grupo criou a brincadeira “boneco-paciente”. “Nós riscamos no papel o contorno do corpo de uma criança e incentivamos as outras a falar da própria doença”, descreve Ângela Esteves Modesto, 22 anos.

A partir do desenho, cada paciente é orientado a indicar que parte de seu corpo adoeceu, que doença é, onde dói, onde é aplicada a injeção, onde foi a cirurgia e assim por diante.

O segundo eixo deste projeto são as atividades educativas. Os estudantes contam trechos de histórias para que as crianças completem, usam jogos de letras e números para incentivar o aprendizado, constróem brinquedos de sucata e ajudam aqueles que, mesmo internados, levam tarefa da escola para fazer no hospital.

Por último, há o eixo lúdico. “É um período de meia hora em que as crianças são livres para escolher seus brinquedos. É o momento que eles mais gostam, porque podem mergulhar no armário e tirar o que querem”, afirma Leonardo. “Às vezes, esses momentos são até melhores do que eles têm em casa e muitos nem querem ir embora”, completa Hellen Paschoalotto Leite, 23 anos.

Além de trabalhar com as crianças, os formandos de psicologia também auxiliam no emocional dos pais destas crianças, que ficam muito ansiosos com a doença infantil. Além disso, muitos pais aprendem a brincar com os filhos nestes ambientes. “Temos relatos de mães que nunca sentaram no chão para brincar com as crianças. Aqui, eles vêem como isso é importante e acabam levando a idéia para casa”, salienta Hellen.

Na recepção

Outro projeto voltado para crianças em hospitais de Bauru é o “Universitários Amigos”, desenvolvido por alunos dos cursos de odontologia, fonoaudiologia e fisioterapia da Universidade do Sagrado Coração (USC). A iniciativa faz parte da disciplina Programas de Cidadania, que desenvolve trabalhos específicos para os mais diversos segmentos da sociedade.

“Neste programa, ao invés de atuarmos na enfermaria (onde os pacientes são internados), nós optamos por atender no ambulatório”, explica a estudante Renata Luciana Zorzin, 24 anos. O ambulatório é o setor do hospital onde os pacientes passam por consultas. Então, o trabalho é voltado tanto para crianças que aguardam atendimento, quanto para aquelas que só acompanham os pacientes adultos.

“Desta forma, estamos em contato com crianças muito diferentes, sem contar que é o setor onde a demanda é maior”, salienta.

O estudante Gustavo Nardi Nogueira, 24 anos, ressalta que a finalidade deste grupo é reduzir a angústia das crianças. “O ambiente hospitalar, geralmente desconhecido, deixa a criança ansiosa e, conseqüentemente, angustiada. Inúmeros estudos mostram que brincar minimiza isso”, afirma.

Pensando assim, o grupo de sete estudantes montou mesas na recepção para levar jogos, música, pintura, colagem e diversas outras atividades que entretenham as crianças. “Elas estão no hospital em busca do bem-estar físico. O que fazemos é ajudar no bem-estar mental”, completa Gustavo.

____________________

Olhar humanitário

Para o pediatra Antero Frederico Macedo de Miranda, trabalhar o lúdico com crianças hospitalizadas é uma forma de compensar o paciente. “Como médicos, tendemos a ver apenas a doença. Por força da profissão, a gente acaba esquecendo de olhar para a pessoa que está ali”, salienta.

Coordenador da área médica do Hospital Estadual de Bauru (HE), o médico lembra que o interno já não está numa condição normal. Então, a brincadeira e a fantasia atenuam a sensação de estar num lugar diferente, em condições adversas.

O médico observa que a maioria dos profissionais de saúde opta por não se envolver com o paciente como um mecanismo de defesa. “Mas alguns são frios demais e esse trabalho acaba ajudando o próprio funcionário do hospital, pois mostra a ele que é importante pelo menos sorrir na hora de administrar um medicamento”, destaca Miranda.

____________________

Leia mais sobre este assunto

• Projeto Alegria tem regras