Arealva - A velha calculadora Burroughs com alavanca manual não perdeu seu espaço, no balcão do mais antigo bazar de Arealva (41 quilômetros a Nordeste de Bauru), embora sirva somente para algumas operações, especificamente as básicas. A registradora, que por força do “fisco” se transformou em caixa de guardar dinheiro, pousa ao seu lado. Cenas como esta são comuns em cidades de pequeno porte na região.
O mundo dominado por novas tecnologias engatinha nesses municípios que ao mesmo tempo lutam para inserir os “analfabetos” digitais na nova era. Projetos básicos de computação estão sendo oferecidos pelas prefeituras que preparam os jovens para o mercado de trabalho.
No bazar que vende desde tecido até peças de R$ 1,99, não há produtos de informática, assim como na cidade toda. O número de pessoas que possuem um computador em casa ainda é pequeno e comprar um cartucho de impressora requer uma viagem para Bauru. A funcionária do bazar, Marilena Freitas de Melo que há 30 anos atende os clientes fala que o estabelecimento ainda não está na era da informática. “Modernizamos em várias coisas, mas não há necessidade de informatizar o pagamento. Ainda tiramos nota no talão.”
O comerciante Salvador Caridi Neto, 56 anos, que desde 1969 passou a dirigir o armazém de seu pai, fundado dez anos antes, mantém as tradições, mas entrou na era da informática adotando uma balança digital. “A caixa registradora eu abandonei. Optei pela balança digital para acompanhar a tecnologia.”
Caridi Neto foi buscar conhecimento e mantém em sua casa um computador com o qual faz todo o serviço burocrático de seu estabelecimento. “Faço todo o serviço bancário pelo computador. É mais fácil e rápido.”
O armazém, bastante conhecido na cidade, é uma mostra da duas eras. A manual, com o cortador de frios elétrico e não eletrônico; e a balança digital, que representa as novas tecnologias a serviço do homem.
Na cidade de Arealva, a prefeitura também está preocupada com o analfabetismo digital e implantou dois programas voltados ao mundo dominado pelas novas tecnologias, explica o diretor administrativo, Pedro Roberto Campesi. “Oferecemos um curso básico de informática para a população carente. São 40 vagas para habilitar os jovens para o mercado de trabalho.”
O programa já está formando a 3.ª turma e é totalmente gratuito. “O curso tem duração de um ano e duas turmas já foram formadas. Fazemos uma seleção do público interessado.”
Para breve, o município promete o acesso gratuito a Internet. “A Secretaria de Assistência Social do Estado vai beneficiar os pequenos municípios com um programa de acesso a Internet 24 horas. Nós já montamos a sala no Centro Cultural, o programa foi intitulado de ‘Acessa São Paulo’ e consiste na instalação de kit com seis computadores e impressoras.”
O acesso contará com um monitor para ajudar as pessoas que não aprenderam a entrar no mundo digital. “São seis computadores que poderão ser utilizados por qualquer munícipe durante 30 minutos cada um. Neste programa, pretendemos incluir os integrantes da 3.ª idade.”
Campesi enfatiza que Arealva foi uma das poucas cidades do Interior paulista a ser beneficiada com o programa de acesso gratuito a Internet. “Foram poucos os municípios beneficiados. Queremos incluir a população na era da informática.”