A partir do próximo ano, o Colégio Técnico Industrial (CTI) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), deve dispor de um sistema de verificação de presença por impressão digital.
O projeto, desenvolvido por seis alunos, está entre os 40 apresentados durante a Semana do Colégio 2003, encerrada na última sexta-feira.
Se a proposta dos estudantes de informática vingar, a lista de chamada será coisa do passado. Eles já demonstraram, durante a exposição, que é possível controlar o fluxo de alunos do CTI só com a identificação digital.
“No começo, ninguém botava muita fé. Agora nós estamos colhendo os frutos. O projeto vai fechar com chave de ouro a conclusão do curso”, conta Heloísa Uehara, aluna do terceiro ano de Informática, que garante ter investido tempo e dedicação para desenvolver o programa.
De acordo com ela, o grupo se reunia à noite e nos finais de semana para apresentar o invento durante a Semana do Colégio 2003.
“O CTI comprou o aparelho – scanner - de identificação biométrica (características inerentes à pessoa). A partir do manual, todo em inglês, desenvolvemos o programa numa linguagem chamada Delphis”, explica.
Ela e os colegas transformaram um código de máquina indicado pelo scanner naquilo que era interessante ao projeto, esclarece o professor orientador do projeto e presidente da Semana, Marcelo Migliatti.
Segundo ele, o produto desenvolvido pelos estudantes deve valer cerca de US$ 2 mil no mercado, ou seja, R$ 5.600,00.
“Ao que tudo indica, o sistema será implementado no próximo ano, mas a nossa principal preocupação é consolidar a formação”, diz o Migliatti, sem negar o interesse da iniciativa privada pelos inventos desenvolvidos no CTI. “Pode existir uma parceria, sim”, se limita a confirmar.
Comercial
Para ele, outros projetos também apresentam potencial viabilidade comercial, como é o caso de um macaco elétrico para veículos e um carrinho movido à luz.
“Usamos material improvisado, uma hélice de papel e um motor comprado. Instalamos um dispositivo que, quando bate a luz, aciona o motor. Além do circuito, fizemos ainda um estudo relacionando o peso do carrinho com a estrutura elaborada”, informa o estudante de eletrônica do primeiro ano, Renan Guerra.
Ele e outros seis colegas desenvolveram todo o projeto em apenas quatro dias, durante as aulas. “Aproveitamos a idéia de uma revista”, confesso.
Já o protótipo de alunos com habilitação em mecânica é inédito. Eles adaptaram um motor de vidro elétrico de carro a um macaco tipo losango. “Reduzindo a rotação, você aumenta a força. A proposta não despendeu quase nada em termos de custo”, acrescenta o professor Migliatti.
Ele também acompanhou projetos sociais, que foram desenvolvidos para beneficiar entidades como a Sociedade de Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri) e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).
Para a Apae, por exemplo, os alunos do CTI elaboraram um software de jogos para as crianças atendidas pela entidade. Através deles, os professores terão como fazer um controle estatístico da evolução dos pacientes.
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Exposição
Quem não aproveitou a Semana do Colégio 2003 para conhecer os projetos desenvolvidos pelos alunos do Colégio Técnico Industrial (CTI), terá mais uma chance. De amanhã até o próximo domingo, os trabalhos também serão expostos na praça central do Bauru Shopping Center, das 10h às 22h.
“O nível dos trabalhos melhora a cada ano. Alguns mais antigos, já foram preteridos. Os alunos acham bobinho por exemplo, o “sangue do diabo” – mistura volátil que evapora em temperatura ambiente sem deixar marcas no tecido.
Nesse ano, fizemos espelhação com nitrato de prata, o mesmo material utilizado em espelho. Deu tudo certo. Estamos aliviados”, confessa o professor de química Fernando Strutzel.
Ele, mais os outros 44 professores, além dos cerca de 750 alunos e 15 funcionários estão desde fevereiro preparando as exposições, que também têm como objetivo atrair o interesse de novos alunos.
“Fiquei com mais vontade de estudar aqui. Já faz tempo que estou estudando porque quero prestar o vestibulinho e passar”, conta Tiago dos Reis Gonçalves, aluno do último ano do Ensino Fundamental de uma escola pública. Ele foi um dos cerca de 1.200 visitantes da Semana do Colégio 2003.
Elza Yamamoto também prestigiou o evento e aproveitou para conhecer o projeto desenvolvido pela filha, que está concluindo o terceiro ano de Informática. “A qualidade dos trabalhos está muito boa”, ressalta.