09 de julho de 2026
Articulistas

Contra a eternização da violência


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Teriam as autoridades policiais escondido em algum cofre de segredos os meios capazes de fazer a violência urbana despencar das alturas em que se encontra e atingir milagrosamente um ponto ideal, aquele que se ajuste aos reais anseios da sociedade? Não, na verdade não o teriam, porquanto mostram-se por aí de mãos atadas diante dos ataques que o terrorismo selvagem vem assestando nas ruas e nos edifícios, numa sucessão que não tem tamanho e, por isso, são assustadiços por natureza. Não só adultos como crianças, de ambos os sexos, são alcançados pelas armas dos meliantes e, conseqüentemente, vitimados e desalojados da vida a que tem absoluto direito. E o que a opinião pública constata através da mídia nossa de cada dia, à qual não falta o testemunho do noticiário sobre os acontecimentos? E se as autoridades falham em tal sentido o que se pode ainda esperar de hoje em diante? Que o problema vai continuar crescendo impiedosamente na forma da selvageria mais feroz que se conhece, porque apenas falar contra ele não adianta nada, pois muito têm falado a imprensa e os políticos sem os resultados com os quais sonham. Até o excelso Ghandi, que se revelou em vida emérito defensor da não-violência, passou os seus anos se batendo no sentido da fraternidade de todas as camadas humanas e nem ele conseguiu colher algum fruto de sua sementeira. Morreu sem ver com os próprios olhos a harmonia de todos os homens do século, dentre os quais se escondem muitos propensos ao latrocínio ou ao assassinato puro e simples. Ainda que fosse médico, não teria Ghandi o antídoto exato para debelar a doença que, conseqüentemente, aí continua disposta a tirar a existência de tanta gente. Como não o era, deixou milhões de pacientes nas UTI das cidades e vilas, nas quais ainda hoje se encontram e vão prosseguir inapelavelmente, a não ser que o exército de Deus venha em seu socorro. É o que se deseja, considerando-se que os homens da lei não dispõem de armas, munições e principalmente táticas e estratégicas para derrubar as fabulosas barreiras do crime organizado, de maneira a impedirem que elas se eternizem como estão pretendendo. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.