08 de julho de 2026
Articulistas

Ideal democrático


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Já anteriormente, e por mais de uma vez, temos buscado despertar a atenção dos que nos honram com a sua leitura para o fato de que o que denominam e tentam impor, ultimamente até pela força, de democracia, tem muito pouco a ver, ou nada a ver, com o verdadeiro ideal democrático, que não pode dispensar a consideração do Direito Natural, como referencial fixo, capaz não de substituir o Direito Positivo, mas de mantê-lo, o mais possível, compatibilizado com a Justiça. A falsificação democrática que se tenta impor, ao contrário, desde o famoso art. 6.º da “Declaração dos Direitos dos Homens e dos Cidadãos”, dispensa o referencial fixo a que acabamos de aludir e remete tudo às decisões de maiorias volúveis, cuja composição pode ser, e é, manipulável pelas forças que, por detrás das cortinas, têm o prático controle da grande mídia internacional que, manipulando as informações, transformadas, na verdade, em propaganda, manipulam também as leis elaboradas por aquelas maiorias. Com isso, na verdade, as forças a que nos estamos referindo assumiram o controle do processo civilizatório. Torna-se para elas, então, indispensável manter as massas inconscientes do que, realmente, está acontecendo, o que é levado a cabo pela confusão entre o conceito de liberdade e o seu exercício por parte de seres que, como todos somos, capazes de praticar o bem e o mal, a virtude e o vício. Esta a razão pela qual, toda vez que se alega que uma dada sociedade foi democratizada, como ocorreu à soviética, poucos dias depois, misteriosamente, as bancas de jornais ali estavam cobertas de literatura pornográfica e erótica, e em cada esquina começaram a surgir traficantes.

Tudo isso estamos repisando, não só pela importância fundamental que nos parece ter, como porque se relaciona com algo que merece ser realçado para que se entenda melhor a situação no Iraque, que estaria sendo “democratizado”.

Sabemos que naquele país a maioria da população é constituída por islâmicos xiitas, detendo o poder, ao tempo de Saddam Hussein, a minoria sunita, o que desgostava os curdos e, obviamente, a maioria xiita.

Pois bem no momento, surgiu do seio da maioria xiita um novo gabinete alternativo do imposto pelos invasores “democratizantes”. Nesse gabinete alternativo figuram dois ministérios: o do Estímulo à Virtude e o da Denúncia e Desestímulo ao Vício.

Claro está que, tanto em um quanto em outro, transparece, claríssimo, o compromisso com o referencial axiológico fixo, no caso islâmico, o Corão, como no caso da civilização judaico-cristã a que pertencemos, as Sagradas Escrituras, desde o famoso art. 6.º mencionado antes, simplesmente desprezadas em favor das tais maiorias eventuais e volúveis, manipuláveis e efetivamente manipuladas como já vimos.

Assim, parece-nos, devem ser vistos os grandes problemas do mundo angustiado em que estamos vivendo: em profundidade esclarecedora, não em superficialidades, deliberadamente despistadoras e confusionistas. O tema, parece-nos, merece ser refletido e voltaremos a ele, se Deus quiser.

O autor, Jorge Boaventura, é colaborador do JC.