10 de julho de 2026
Política

Situação festeja; oposição conforma-se

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A sessão legislativa que reconduziu Nilson Costa (PTB) ao cargo de prefeito foi acompanhada apenas pelos vereadores que votaram contra a cassação de seu mandato, na madrugada do último dia 20. Após o encerramento da sessão semanal da Câmara Municipal, os parlamentares oposicionistas a Nilson deixaram o plenário antes do início da cerimônia de recondução ao cargo.

O vereador Milton Dota Jr. (PTB) - que também é advogado - diz que a ordem jurídica e constitucional está restabelecida na cidade. “O Poder Judiciário analisou friamente e com acuidade a situação. Entendeu por bem que não havia motivação alguma para a cassação do prefeito municipal. Um cargo conquistado nas urnas não pode ser retirado através de manobras”, avalia.

Embora não tenha participado do processo de votação pelo fato de integrar a Mesa Diretora - responsável pela denúncia contra Nilson -, o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) recebeu com positivismo o retorno do prefeito.

“É uma decisão judicial que a Câmara tem que cumprir porque preza pela legalidade. Esperamos que toda a administração pública opere, neste retorno, na mais profunda regularidade”, pede.

Na mesma linha de raciocínio do peemedebista, a vice-presidente da Câmara, Majô Jandreice (PC do B), não esconde que havia uma expectativa de que a recondução era uma hipótese real.

“Mesmo porque, durante todo o julgamento a defesa fazia questionamentos jurídicos em relação ao processo. A Justiça tem um julgar diferente da Câmara Municipal. A Câmara vê muitos aspectos políticos, embora se embase também em documentos. Na Justiça, o que foi levado em consideração foram aspectos técnicos”, comenta.

A posição da parlamentar comunista é reforçada pelo presidente do Poder Legislativo, Renato Purini (PMDB). “Temos que, daqui para frente, pensar e trabalhar pela cidade. A Câmara vai continuar na mesma linha de raciocínio, que é pelo desenvolvimento da cidade e pela tranqüilidade.”

Outro vereador da bancada da situação, Edmundo Albuquerque (PPS), elogia a posição do Poder Judiciário em relação à decisão que reconduziu Nilson Costa à prefeitura.

“Entendo que havia necessidade de uma posição do Judiciário. O julgamento foi feito de maneira independente, sem interferências políticas. Esperamos que o prefeito possa recompor sua equipe para administrar a cidade até o fim de seu mandato”, diz.

Cumpra-se

O discurso dos vereadores que votaram a favor da cassação do mandato de Nilson Costa aplicaram o mesmo discurso para comentar o retorno do prefeito ao cargo.

O vereador José Eduardo Ávila (PP) afirma que decisão da Justiça não se questiona, cumpre-se. “A Justiça deu guarida e vamos respeitar. Acredito que ainda é prematuro para se falar o que vai acontecer daqui para frente”, analisa.

A vereadora Catarina Carvalho (PFL) segue a mesma posição de Ávila. “A decisão é soberana. O importante, agora, é o trabalho pela cidade de Bauru. É lógico que a política é arte mais dinâmica do mundo: de repente, acordamos com um prefeito e dormimos com outro.”

Mas para o vereador João Parreira (PSDB), uma liminar não deve ser encarada como instrumento de retorno definitivo do prefeito ao cargo. “Talvez essa volta seja temporária. É preciso lembrar que nesta decisão cabe recurso. Confio plenamente que a Câmara Municipal vai recorrer dessa decisão”, acredita.

Seu colega de bancada de oposição, José Clemente Rezende (PDT), diz que ainda é cedo para avaliar a situação. “Cabe ao presidente da Casa contestar a decisão. Essa é uma questão de lisura da Câmara Municipal”, finaliza.

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