08 de julho de 2026
Geral

Gasoduto pode ter trazido a doença para SP

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 1 min

A instalação do gasoduto Bolívia-Brasil pode ter trazido a leishmaniose para o Interior de São Paulo, mais precisamente para Araçatuba (205 km de Bauru). A dedução é do professor da Faculdade de Medicina de Botucatu e especialista em doenças tropicais, Domingos Alves Meira.

Ele chegou à conclusão através de análises geográficas. “Sempre existiram casos da doença no Nordeste, Norte e em Minas Gerais (MG), por exemplo. É uma doença antiga do Brasil e das regiões tropicais, que têm áreas propícias para a proliferação do inseto (mosquito palha). Mas Araçatuba não é limítrofe de Minas. Como explicar esse salto?”, questiona o professor.

Ao responder sua própria interrogação, ele defende a possibilidade da leishmaniose ter vindo junto com os trabalhadores do gasoduto, que atravessou o Estado de Mato Grosso do Sul (MS) até chegar ao Interior do Estado. Em 1997, foram iniciadas as obras do trecho Corumbá (MS) – Campinas (SP) e desde 1999 Araçatuba registra casos da doença. No ano passado, 52 pessoas foram acometidas no município.

“É uma opinião pessoal minha. Nem saí da minha sala para falar isso”, ressalta Meira, ao enfatizar ainda um outro fator que pode justificar a difusão da moléstia em centros urbanos: o êxodo rural.

Para o especialista em doenças tropicais, a falta de políticas nacionais de fixação do homem no campo também é responsável pelo problema.

“Como não existe a preocupação em fixar o homem na terra, as grande cidades vão crescendo com homens vivendo em moradias subumanas. Isso também provoca a urbanização de endemias rurais”, esclarece.

Na opinião de Meira, o proprietário rural deveria ter acesso às mesmas vantagens que o homem urbano tem - como acontece em países desenvolvidos -, medida que poderia evitar o deslocamento de doenças como esta.